O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que a nova versão do Desenrola – programa do governo federal para endividados renegociarem seus débitos – deve incluir regras de barreira para a criação de novas dívidas com bets.
Segundo Durigan, a medida está sendo analisada pela Fazenda e “formulada” para definir o melhor modelo quanto ao endividamento gerado no mercado de apostas.
O programa Desenrola 2.0 deve ser anunciado pelo governo nos próximos dias, de acordo com o ministro.
“A gente está estudando como criar contrapartidas para os clientes que usarem o Desenrola. Porque não adianta resolver uma dívida e, logo em seguida, a pessoa se endividar novamente nas bets”, disse Durigan à jornalistas após uma reunião dele com a bancada do PT na Câmara dos Deputados.
O ministro da Fazenda não quis dar mais detalhes de como serão as regras na prática, mas deixou em aberto as possibilidades tanto de definir limites de valor para gastos em apostas quanto de barrar que os cidadãos cadastrados no Desenrola façam novos gastos nas empresas de bets.
Deputados presentes na reunião com Durigan afirmaram ao CNN Money que o ministro enfatizou a necessidade do governo de combater o problema nacional do endividamento.
Segundo os parlamentares, o tópico das dívidas com bets foi bastante enfatizado por Durigan.
O novo Desenrola
O esboço da versão atual do programa de renegociação de dívidas foi apresentado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na última terça-feira (7).
Segundo Dario Durigan, o presidente aprovou a proposta – que passa por ajustes finais pela equipe econômica antes de ser lançada.
Parlamentares do PT que estiveram com Durigan discutindo o Desenrola 2.0 disseram que um dos focos da Fazenda será as pessoas endividadas que têm renda baixa.
Segundo os deputados, o ministro afirmou que “é muito significativa” a parcela de beneficiários do Bolsa Família, por exemplo, que atualmente têm nome sujo com dívidas.
Além das medidas restritivas a gastos com bets, o novo Desenrola pode ter ações como o uso de recursos do FGTS liberados para pagamento de dívidas. Tal possibilidade ainda está “sendo estudada”, segundo o ministro da Fazenda.
