Em entrevista ao Dr. Roberto Kalil, no CNN Sinais Vitais do último sábado (11), o neurologista Diogo Haddad, professor da Santa Casa, explicou a diferença entre o envelhecimento normal e os sinais de alerta para demência. Segundo ele, o envelhecimento saudável está relacionado à manutenção das atividades diárias com independência, enquanto se mantém ativo física e mentalmente.
Haddad alertou que é fundamental estar atento aos sinais anteriores à perda de independência, como o comprometimento cognitivo leve. “Não que ele seja um processo demencial, mas quem já tem um comprometimento leve, onde eu enxergo através de testagem que ele não está tão bem quanto esperava, mas que ele continua conseguindo fazer as coisas normalmente, esse paciente tem risco”, explicou.
De acordo com dados do Ministério da Saúde, cerca de 2 milhões de brasileiros têm Alzheimer, e a previsão é que essa população triplique até 2050. Os especialistas alertaram que o Brasil não está preparado para lidar com o rápido envelhecimento da população.
“O envelhecimento aqui é extremamente acelerado. A transição de um país jovem para um país idoso foi rápida. Não houve muito tempo de adaptação”, afirmou o médico e professor da Unifesp Paulo Bertolluci, ressaltando a necessidade de diagnóstico precoce para melhorar a efetividade do tratamento.
A distribuição dos tipos de demência no Brasil apresenta diferenças significativas em comparação com outros países, especialmente os Estados Unidos. Segundo Bertolluci, enquanto na costa leste americana cerca de 70% dos casos de demência são de Alzheimer, no Brasil esse número cai para aproximadamente 50%.
Bertolluci explica que essa diferença não está relacionada apenas a fatores genéticos, mas principalmente à saúde pública e ao diagnóstico precoce. “A demência vascular contribui mais aqui do que em Boston. E aí você vê uma coisa que é uma tristeza: a demência vascular é prevenível”, afirmou o especialista.
O neurologista ressaltou que essa maior incidência de demência vascular no Brasil está diretamente ligada à qualidade dos cuidados na atenção primária à saúde. Além disso, destacou a importância da população fazer sua parte no tratamento adequado de condições como hipertensão e diabetes, fatores de risco para esse tipo de demência.