O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sugeriu em entrevista ao jornal britânico Daily Telegraph divulgada nesta quarta-feira (1º) que o país considera deixar a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) devido ao que classificou como apoio militar insuficiente da aliança à guerra contra o Irã.
Questionado pelo Telegraph, de orientação conservadora, se reconsideraria a permanência dos EUA na Otan após o conflito, Trump respondeu: “Ah, sim, eu diria que está além de reconsideração… Eu nunca fui convencido pela Otan. Sempre soube que era um tigre de papel, e (o presidente russo) Vladimir Putin também sabe disso, aliás”.
Os integrantes da Otan têm relutado em mobilizar recursos militares para reabrir o Estreito de Ormuz, uma rota crucial para o transporte de petróleo que o Irã fechou efetivamente após ser atacado pelos Estados Unidos e por Israel. A guerra no Oriente Médio teve inicio em 28 de fevereiro e já envolveu diretamente países como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã.
Entenda o que é a Otan
A Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) é uma aliança militar feita entre países da América do Norte e Europa que foi criada a partir da escalada da Guerra Fria. A principal sede da organização fica em Bruxelas, na Bélgica.
Liderada pelos Estados Unidos, a aliança tinha como objetivo principal na época de sua criação proteger os países da Europa Ocidental da expansão da União Soviética e combater a disseminação do comunismo após a Segunda Guerra Mundial.
O Tratado do Atlântico Norte foi assinado em 4 de abril de 1949 por 12 países fundadores, que incluíam EUA, Canadá, Reino Unido, França e outras oito nações europeias. Logo de início, os membros concordaram em ajudar uns aos outros no caso de um ataque armado contra qualquer Estado que fizesse parte da aliança.
Com o tempo, a Otan cresceu e hoje conta com 32 integrantes. Em ordem alfabética, são: Albânia, Alemanha, Bélgica, Bulgária, Canadá, Croácia, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estados Unidos, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Hungria, Islândia, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Macedônia do Norte, Montenegro, Noruega, Polônia, Portugal, Reino Unido, República Tcheca, Romênia, Suécia e Turquia.
Quais as vantagens de participar da Otan?
O princípio da defesa coletiva registrado no artigo 5º do Tratado do Atlântico Norte é a principal vantagem de participar da aliança.
Ele garante que os recursos de todos os países da Otan possam ser usados para proteger qualquer uma das nações que integram o grupo.
Isso significa que países menores, com pouca infraestrutura militar, podem contar com equipamento bélico de primeiro mundo para se protegerem em caso de conflitos armados.
Por outro lado, países com exércitos mais consolidados podem receber a ajuda de uma força militar com enorme contingente.
Como os Estados Unidos são o maior e mais poderoso país integrante da Otan, qualquer outro Estado da aliança está efetivamente sob proteção dos americanos. Isso é uma grande vantagem para a Islândia, por exemplo, que não tem um exército permanente.
No entanto, no histórico da aliança, o artigo 5º só foi utilizado uma única vez: após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Como resultado, aliados da Otan se juntaram à invasão dos EUA ao Afeganistão.
Em outras ocasiões, os países-membros atuaram em missões de paz na Bósnia, foram enviados para lidar com a crise imigratória no Mediterrâneo e estão estabelecendo um centro de defesa cibernética na Estônia.
A Otan tem um exército próprio?
A aliança militar não possui um exército único que é deslocado em casos de invasões aos membros. Na realidade, a Otan conta com a soma das forças de seus integrantes, o que significa um poderio mais forte do que os exércitos individuais de cada país.
Segundo as diretrizes da Otan, cada país da aliança deve gastar pelo menos 2% de seu PIB (Produto Interno Bruto) com investimentos em defesa.
De lá para cá, os integrantes da aliança se comprometeram a aumentar os gastos militares para atingir a meta estabelecida em uma década.
Por que é possível classificar conflito no Oriente Médio como guerra?
