Escala 6×1: especialistas defendem diálogo aprofundado e isolado de eleição

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Escala 6×1: especialistas defendem diálogo aprofundado e isolado de eleição

O futuro da jornada de trabalho no Brasil é um assunto que requer diálogo aprofundado e maduro antes de o Congresso Nacional votar a redução da escala 6×1, segundo especialistas ouvidos pela CNN Brasil.

O assunto sobre a redução da jornada de trabalho é carregado de muitas nuances, prós e contras, destaca André Portela, professor da FGV EESP (Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas).

“É uma proposta estruturante para a economia, e para ter uma decisão racional, pensada, precisamos de muita discussão”, aponta o economista especialista em mercado de trabalho.

Nesse sentido, a CNN Brasil promove uma programação especial neste sábado (11). Quatro especialistas debatem, com mediação do âncora Márcio Gomes, as pautas apresentadas pelo poder público e os impactos que uma eventual extinção da escala 6×1 trará para a economia brasileira.

Além do poder público e do cidadão comum, a pauta é de interesse do setor produtivo. Do comércio e a indústria até a construção civil e o turismo, os executivos brasileiros acompanham de perto o debate, como indica Vander Giordano, conselheiro da Abrasce (Associação Brasileira de Shoppings Centers).

Giordano pontua que “sempre buscamos condições melhores para o bem estar do trabalhador”, mas que colocar urgência e celeridade sobre este debate pode trazer mal planejamento e impacto negativo ao país.

“Somos a favor do debate, é importante construir a pauta com divergências e convergências”, enfatiza o executivo, questionando como será subsidiada a transformação na folha salarial das empresas, que precisarão de mais funcionários.

Nesse sentido, Sergio Firpo, professor de Economia e coordenador do Observatório da Qualidade do Gasto Público do Insper, propõe uma regra de transição que seja diferenciada entre setores.

Firpo alerta que ao aumentarem os encargos por necessidade de mais contratações, alguns negócios podem acabar inclinando-se para contratações informais.

“Contratar sem carteira assinada pode ser ruim para a economia. Hoje temos 40% da força de trabalho na informalidade, e quanto mais informal, menos produtivo tende a ser o país”, indaga.

Comparando o Brasil com países emergentes da Ásia que possuem jornadas de trabalho mais extensas que a nossa, Samuel Pessôa, pesquisador associado do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas) e do BTG Pactual, atesta que este é um dos fatores que impulsiona maior crescimento nessas economias.

“Não há evidência de que as jornadas do Brasil são longas demais. […] As bases internacionais que comparam diversos países no mundo mostram que a jornada do Brasil é normal, não há nenhum sinal de excesso”, conclui.

Portela ressalta que a sociedade precisa estar bem informada sobre o assunto antes de decidir sobre ele, e que para isso é necessário um tempo que não combina com a urgência do período eleitoral.

“Num período de eleição, o debate acaba sendo contaminado por outros fatores e motivos. O ruim da discussão em período de eleição é que coloca uma urgência que não dá tempo para uma discussão amadurecida e aprofundada”, pondera o professor da FGV EESP.

O programa “O futuro da jornada de trabalho no Brasil” vai ao ar às 21h15 deste sábado, na CNN Brasil.

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