O fazendeiro Carlos Henrique Mendes Soares, conhecido como “Caíque”, um dos principais alvos da Operação Regresso, teve o pedido de habeas corpus negado pela Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Acre.
A decisão foi tomada de forma unânime pelos magistrados, acompanhando o voto do relator do processo, desembargador Samoel Evangelista, que entendeu que a prisão preventiva do acusado está devidamente fundamentada.
No recurso, a defesa argumentou que a prisão teria sido baseada em interpretações de diálogos telemáticos, incluindo conversas realizadas por meio do aplicativo WhatsApp entre os anos de 2021, 2022 e 2023. O advogado e desembargador aposentado Adair Longuini solicitou a revogação da prisão preventiva ou a substituição por medidas cautelares.
Carlos Henrique é investigado por tráfico interestadual de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro. Segundo as investigações conduzidas pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICO), ele integrava o núcleo de uma organização criminosa, atuando na compra, transporte, negociação e distribuição de drogas sintéticas e outros entorpecentes de alto valor.
Ainda de acordo com a apuração, o investigado também seria responsável por ocultação patrimonial, utilizando familiares para registrar veículos de luxo com o objetivo de dissimular bens.
No momento da prisão, realizada em um apartamento de alto padrão localizado no bairro Morada do Sol, o acusado foi flagrado com uma pistola calibre 380 e munições.
As investigações apontam que o grupo criminoso possuía uma estrutura logística e financeira organizada, com atuação no tráfico interestadual de drogas entre os anos de 2020 e 2024. Ao longo desse período, foram apreendidos aproximadamente 350 quilos de entorpecentes em diferentes operações.
Entre as apreensões destacadas estão 50 quilos de cocaína em Santarém (PA), em novembro de 2020; 41 quilos em Rio Verde (GO), em março de 2021; 57 quilos de pasta base no Bujari, em novembro de 2021; além de 177 quilos de cocaína e 20 quilos de pasta base também apreendidos no Bujari, em 2024.
Na decisão, o relator destacou a gravidade dos crimes e ressaltou que medidas cautelares alternativas não seriam suficientes diante da periculosidade da ações criminosas e do poder econômico dos envolvidos no esquema criminoso.
Com isso, Carlos Henrique Mendes Soares segue preso, à disposição da Justiça, enquanto as investigações continuam em andamento.
Exclusivo: TJ -AC nega soltura de fazendeiro acusado por tráfico de drogas sintéticas; advogado e ex desembargador perde no tribunal
