Os Fiagros (Fundos de Investimento nas Cadeias Agroindustriais) cresceram cerca de 9.500% in um ano e atingiram R$ 29,3 bilhões em março. O número foi divulgado pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), nesta segunda-feira (13).
Segundo os dados, em março de 2025 os fundos ligados ao agronegócio somavam R$ 303 milhões com crescimento contínuo e avançaram rapidamente ao longo do último ano. Nos primeiros meses de 2026, o volume seguiu em alta, com R$ 28,1 bilhões em janeiro e R$ 28,9 bilhões em fevereiro.
Na prática, o volume praticamente multiplicou ao longo de 12 meses, consolidando o instrumento como uma das principais alternativas ao crédito rural tradicional, em um ambiente de juros elevados.
No fluxo de recursos, os fundos também seguem no positivo no primeiro trimestre de 2026:
* R$ 2,17 bilhões em jan/26
* R$ 39 milhões em fev/26
* R$ 207,8 milhões em mar/26
* R$ 2,4 bilhões acumulados no ano
Apesar da desaceleração após janeiro, a captação líquida continua positiva, indicando manutenção do interesse dos investidores.
Os Fiagros foram criados em 2021 mas passaram por ajustes regulatórios desde então para ampliar seu alcance e dar mais segurança jurídica à indústria. Entre as mudanças mais recentes, está a Resolução CVM (Comissão de Valores Mobiliários) nº 214, que consolidou regras para a categoria dentro do novo marco dos fundos de investimento.
A norma trouxe padronização, maior clareza na classificação e nas estruturas possíveis — como fundos voltados a crédito, imóveis rurais e participações — além de alinhar o FIAGRO às demais categorias do mercado, o que facilitou a entrada de novos investidores e gestores.
O levantamento da Anbima considera a captação líquida a partir desta inovação que teve período de adaptação até o fim de setembro do ano passado.
Na prática, o instrumento permite que investidores financiem diretamente atividades do agronegócio por meio de ativos como CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio), imóveis rurais e participação em empresas do setor.
O modelo aproxima o campo do mercado financeiro e amplia as fontes de recursos para produtores e empresas, reduzindo a dependência de linhas subsidiadas do Plano Safra.
O avanço ocorre em um momento em que o crédito rural tradicional enfrenta restrições, pressionado pelo nível elevado da taxa básica de juros e pelo custo de equalização. Nesse cenário, instrumentos de mercado, como CPR (Cédula de Produto Rural) e os próprios Fiagro, ganham espaço no financiamento da produção.
Mesmo com o crescimento acelerado, os Fiagro ainda representam uma parcela pequena da indústria de fundos, o que indica potencial de expansão nos próximos anos.