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Hungria tem eleição parlamentar neste domingo (12); conheça candidatos

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Hungria tem eleição parlamentar neste domingo (12); conheça candidatos

Os eleitores da Hungria vão às urnas neste domingo (12) em eleições parlamentares que podem definir o destino do país na Europa.

O partido governista Fidesz, de Viktor Orban, tenta se manter no poder após 16 anos de governo, em meio às frustrações da população com a economia estagnada. Mas Orban terá que enfrentar Peter Magyar, um ex-aliado que agora concorre pelo partido emergente de centro-direita Tisza, líder nas pesquisas de opinião.

Conheça os principais nomes da disputa:

Viktor Orban

Um fervoroso líder da juventude anticomunista durante a Guerra Fria, Viktor Orban, agora com 62 anos, continua a ser um herói patriótico para os seus apoiadores, mas é acusado por críticos de colocar a Hungria no mapa da ultradireita.

Nascido em 1963, em uma aldeia a oeste de Budapeste, Orban se formou como advogado, estudou brevemente filosofia política em Oxford e até jogou futebol semiprofissional antes de se tornar primeiro-ministro pela primeira vez em 1998, com apenas 35 anos.

A Hungria aderiu à Otan sob o comando de Orban, mas ele perdeu o poder in 2002. Depois de oito anos na oposição, conquistou uma vitória esmagadora em 2010, o que lhe permitiu reescrever a constituição da Hungria e aprovar leis importantes destinadas a criar uma “democracia iliberal”.

A consolidação do poder executivo, as novas restrições às atividades das ONGs e à liberdade dos meios de comunicação social, além do enfraquecimento da independência judicial, levaram a conflitos com a União Europeia sobre os padrões democráticos, culminando em uma decisão de suspender bilhões de euros em financiamento para a Hungria.

Durante a crise migratória na Europa de 2015, Orban se apresentou como o guardião da identidade nacional e da herança cristã da Hungria e se recusou a aceitar as cotas da União Europeia para acolher imigrantes, na sua maioria muçulmanos. O governo de Orban também tomou medidas graduais para minar os direitos LGBTQ+.

A posição linha dura em relação à imigração e os esforços para reanimar o declínio da taxa de natalidade na Hungria garantiram a Orban elogios de outros líderes conservadores, incluindo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Orban – que também obteve vitórias eleitorais arrebatadoras em 2014, 2018 e 2022 – conquistou o apoio de colegas nacionalistas, incluindo a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, de Marine Le Pen, do Reunião Nacional de França, e de Alice Weidel, da Alternativa para a Alemanha.

Trump também apoiou o premiê húngaro, dizendo que as relações entre os países atingiram “novos patamares” devido à sua liderança após anos de conflito sob administrações democratas em Washington.

Orban também manteve laços estreitos com a Rússia, um importante fornecedor de energia, e com a China, cujas empresas estão construindo grandes fábricas de veículos elétricos e de baterias no país da Europa Central.

O premiê tem definido as eleições deste domingo como uma escolha entre “guerra ou paz”, sugerindo que seus adversários querem arrastar a Hungria para a guerra na Ucrânia. Orban entrou em conflitos frequentes com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e enfureceu os países da União Europeia ao bloquear um pacote de ajuda de 90 bilhões de euros para Kiev.

Mas as pesquisas de opinião sugerem que os eleitores húngaros estão mais preocupados com questões internas, como os cuidados de saúde e a economia, que estagnou nos últimos três anos.

A Hungria registrou o pior aumento da inflação da UE após a invasão da Ucrânia pela Rússia em fevereiro de 2022, que elevou os preços dos alimentos. Enquanto isso, os salários húngaros ainda são os terceiros mais baixos no bloco europeu.

Apesar das generosas políticas pró-família, incluindo empréstimos baratos e benefícios fiscais, Orban parece ter perdido o apoio dos eleitores mais jovens.

“Sei que os jovens gostam de se voltar contra os pais e isso pode causar problemas políticos”, disse Orban, que é pai de cinco filhos e avô.

Peter Magyar

Quando Peter Magyar era criança, pendurou uma foto de Viktor Orban na parede do quarto, emocionado com as primeiras eleições democráticas da Hungria em 1990. Décadas mais tarde, ele espera pôr fim ao governo de 16 anos de Orban como primeiro-ministro.

As últimas pesquisas de opinião mostram que o partido de Peter Magyar, o Tisza, de centro-direita, pode derrubar o partido nacionalista Fidesz, de Orban, nas eleições parlamentares deste domingo.

Magyar, cujo nome de família significa literalmente “húngaro”, ganhou destaque há dois anos depois que sua ex-mulher, Judit Varga, ex-ministra da Justiça de Orban, renunciou a todos os cargos políticos após o perdão de um caso de abuso sexual que causou alvoroço público.

Magyar rapidamente se distanciou do partido governista e acusou o Fidesz de corrupção e de espalhar propaganda, dizendo que estava desiludido.

Apenas quatro meses depois de emergir do esquecimento quase total com uma entrevista no canal Partizan do YouTube, o novo partido de Magyar obteve 30% dos votos nas eleições europeias de junho de 2024, terminando em segundo lugar atrás do Fidesz e esmagando o resto da oposição.

Em contraste a Orban, Magyar se comprometeu a reconstruir a inclinação da Hungria ao Ocidente e a acabar com a dependência da energia russa até 2035, ao mesmo tempo que se esforça por “relações pragmáticas” com Moscou. Ele também prometeu desbloquear os fundos congelados da União Europeia, o que ajudaria a impulsionar a economia estagnada da Hungria.

Mas Magyar está agindo com cuidado, tentando não assustar os eleitores mais conservadores. Ele se inspirou na estratégia de Orban nestas eleições, com comícios sempre cheios de bandeiras e apelando ao patriotismo dos eleitores húngaros.

Nascido em 1981 em uma família de advogados, Magyar também estudou Direito. Ele se casou com Judit Varga em 2006 e juntou-se ao corpo diplomático da Hungria em Bruxelas. Depois de voltar à Hungria, passou a trabalhar em um banco estatal e depois dirigiu uma agência de empréstimos estudantis.

Magyar e a esposa, que se divorciaram em 2023, têm três filhos. O político se descreve como religioso e diz que gosta de cozinhar e jogar futebol com amigos e filhos.

Entenda o que é a Otan e quais países integram a aliança

*Com informações da Reuters

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