Juros altos sacrificaram demais o devedor, diz economista

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Juros altos sacrificaram demais o devedor, diz economista

O endividamento das famílias brasileiras atingiu níveis preocupantes nos últimos anos, agravado pela combinação de juros elevados e programas governamentais que incentivaram a tomada de crédito.

Esta é a avaliação do economista Mauro Rochlin, coordenador acadêmico da FGV (Fundação Getúlio Vargas), ao analisar a possibilidade de um novo programa de renegociação de dívidas pelo governo federal.

Segundo Rochlin, um possível “Desenrola 2.0” pode incorrer nos mesmos erros do programa anterior.

“O que a gente viu acontecer foi muito mais o devedor trocar uma dívida por outra, ou melhor, pior ainda do que isso. Ele usou o programa para aumentar o volume de dívida”, explicou o economista em entrevista exclusiva ao CNN Money.

Para ele, o caminho mais adequado seria investir em educação financeira, conscientizando os consumidores sobre os riscos dos juros elevados.

Bancarização acelerada e oferta de crédito

O especialista apontou que o avanço da bancarização, impulsionado pelo crescimento das fintechs nos últimos cinco anos, contribuiu significativamente para o aumento do endividamento.

“A gente viu um aumento muito grande do número de fintechs no mercado e a fintech, quando abre uma conta, automaticamente oferece um cartão de crédito ao novo correntista”, destacou Rochlin.

O economista observou que o problema se agravou especialmente na modalidade de cartão de crédito. Além disso, programas governamentais como o empréstimo consignado via CLT também reforçaram o processo de endividamento.

A taxa de juros no nível de 15% acabou sacrificando demais o devedor e, com isso, a gente tem esse problema agora atingindo uma dimensão preocupante”, afirmou.

Governo como parte do problema

Rochlin fez uma análise crítica sobre o papel do governo nesse cenário. “Se de um lado agora o governo parece querer fazer parte da solução, até muito recentemente ele era parte do problema”, avaliou.

Segundo ele, o governo incentivou fortemente o crédito “na expectativa de que isso virasse maior consumo e, consequentemente, maior crescimento econômico”.

Para o economista, uma solução mais efetiva passaria por campanhas de conscientização financeira e uma análise de cadastro mais rigorosa por parte das instituições financeiras, especialmente as fintechs.

Rochlin destacou que estas chegaram ao mercado com estruturas mais leves, sem cobrar tarifas de manutenção de contas, mas oferecendo crédito rapidamente aos novos correntistas, muitas vezes sem uma análise adequada de risco.

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