Ficar ou sair de uma gestão, seja ela de continuidade ou não, faz parte do jogo democrático. Isso vale essencialmente quando o seu papel é o de articulador desse jogo. O operador político nunca deve pretender ser maior do que aquele para quem articula e, sob hipótese alguma, deve sair “atirando” — especialmente após receber a garantia oficial de que sua permanência na gestão estava assegurada.
No caso específico de Márcio Pereira, ex-secretário adjunto da Secretaria de Governo (Segov), o que se testemunha é um espetáculo de vaidade. Pereira, que se projeta como um dos maiores operadores do meio político local — julgando-se superior inclusive ao seu antigo chefe, o secretário Luís Calixto —, protagoniza agora uma saída espalhafatosa e midiática da gestão de Mailza Assis. O que se percebe é a fútil necessidade de posar como vítima em um processo no qual ele sempre atuou como protagonista e, por vezes, algoz. Sim, algoz, x9, entenda-se.
Teria sido mais honesto e politicamente ético se Pereira tivesse, primeiramente, dialogado de forma republicana com a governadora, seu chefe de gabinete ou o chefe da Casa Civil. O caminho correto seria o protocolo de praxe: um pedido de exoneração formal via e-mail ou pelo SEI, o sistema oficial do Estado.
Em vez disso, optou pelo atalho do desgaste. Enviar um pedido de demissão via WhatsApp para, logo em seguida, vazar o conteúdo à imprensa, é uma estratégia deliberada. Ao acusar o subchefe do gabinete da governadora — faltando-lhe, talvez, coragem para confrontar diretamente o titular da pasta —, Pereira deixou claro que agiu de caso pensado. O objetivo? Tentar desgastar a imagem da governadora Mailza e de seu marido, Madson Cameli, perante a opinião pública e a classe política.
Mas o que esperar de alguém que, ao longo dos últimos sete anos, agiu nas sombras para manter acordos pouco republicanos em benefício de interesses próprios? Não é segredo para os corredores do poder que Pereira trabalha há mais de dois anos para se tornar o chefe da articulação política na Prefeitura de Rio Branco.
Márcio, que se autointitula um visionário e é useiro e vezeiro em plantar “notinhas” contra adversários através de aliados na imprensa, agora tenta inflar o próprio passe. Já circulam informações, convenientemente espalhadas por ele, de que teria recebido convites que vão desde o “ex-tudo” Jorge Viana até a simpatia do prefeito Alysson Bestene.
Pereira gosta de citar versículos bíblicos nas redes sociais para alimentar seu recente estado de vitimismo. No entanto, esquece-se de uma lição elementar das escrituras e da própria vida pública: a soberba precede a queda. E a mentira, além de ter pernas curtas, costuma cobrar um preço alto na política.
Humildade não lhe cabe. Lealdade, idem.
