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Nestlé projeta alta de 27% nas exportações de café solúvel em 2026

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Nestlé projeta alta de 27% nas exportações de café solúvel em 2026

O café brasileiro está ganhando cada vez mais valor além da lavoura. Com demanda externa aquecida e preços mais baixos do grão verde, algumas empresas miram na estratégia de fornecimento de café solúvel — um produto industrializado que amplia margens na exportação. A Nestlé Brasil é uma delas e, para 2026, projeta um aumento de 27% nos seus embarques de grão tipo solúvel.

Além da queda nos preços internacionais do café verde em relação à 2025,  a retomada da demanda global pelo produto solúvel ancora as expectativas da Nestlé. De quebra, o pano de fundo geopolítico passa a contribuir: o principal mercado do café solúvel brasileiro, os Estados Unidos, depois de incluir o item na guerra tarifária com alíquota de 50% em julho do ano passado, mais recentemente, diminuiu as taxas para 10%.

Agora, com o mercado mais resiliente para o solúvel, a expectativa da empresa é ampliar participação neste nicho e embarcar mais de 20,2 mil toneladas ao longo do ano. Os embarques incluem diferentes formatos de café solúvel — como sachês, vidros e latas prontos para consumo — além do chamado “bulk”, produto a granel destinado ao envase em fábricas de outras operações internacionais da companhia.

A aposta de crescimento se dá pela normalização gradual dos preços do café e a recuperação da demanda internacional devem sustentar o ritmo de exportações ao longo de 2026, diz a empresa.

Nesse contexto, o Brasil tende a se consolidar como um dos principais exportadores de café solúvel dentro da operação global da companhia, agregando valor a uma commodity tradicionalmente exportada in natura.

O avanço é liderado pela unidade de Araras (SP), considerada estratégica para a operação global da companhia. A fábrica abastece o mercado doméstico e exporta para 57 países, com destaque para Argentina, Canadá, Guatemala e Arábia Saudita, principais destinos do produto brasileiro.

“A unidade de Araras é uma das mais competitivas de Nescafé no mundo, abarcando todas as
tecnologias de ponta no que se refere à fabricação de café solúvel, consolidando-se como o principal polo exportador do produto finalizado e um dos mais relevantes globalmente dentro da operação da Nestlé”, afirma, em resposta enviada ao CNN Agro, Marcelo Nascimento, vice-presidente de Supply Chain da Nestlé Brasil.

A planta industrial também é um dos focos de investimentos da Nestlé Brasil, na ordem de R$ 1 bilhão até 2028. Atualmente, o local concentra tecnologias de processamento ligadas às tendências de consumo que mudam no mundo e, cada vez mais, utilizam o grão tipo solúvel para bebidas geladas, proteicas e alimentos derivados de sabor café.

Ao CNN Agro, a empresa afirma que o desempenho dos cafés solúveis reforça o papel do Brasil não apenas como produtor de café, mas como polo industrial relevante na cadeia global da bebida. A empresa aposta na fábrica de Araras como uma das mais competitivas de seu portfólio industrial.

Investimentos e tecnologia

Entre os destaques da unidade paulista está o uso de inteligência artificial aplicada ao controle de processos produtivos, monitorando variáveis como torra, umidade e coloração do café. O sistema permite ajustes em tempo real e prevê falhas, aumentando a eficiência operacional.

A planta também usa internet das coisas, machine learning, big data e robótica autônoma, além de soluções de IA generativa para análises preditivas e acompanhamento de tendências.

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