A UPL inicia um novo capítulo nesta quinta-feira (2), com a posse de seu novo CEO global, em um processo de sucessão planejado ao longo dos últimos anos. Em entrevista à CNN Agro, o executivo destacou que quer direcionar o trabalho de campo na proximidade com o produtor, sem ‘muita burocracia’ para conseguir driblar as sensibilidades econômicas e mirar no crescimento de mercado.
A sucessão foi planejada, nos moldes da sucessão familiar, dentro da porteira. “Estou há oito anos na organização e planejamos a transferência de áreas de responsabilidade do CEO para minha estrutura. Foi um processo sucessório muito bem planejado nos últimos anos, sem muitas surpresas nesse sentido”, afirmou.
Para o novo CEO, que está há mais de duas décadas no agronegócio, o futuro da companhia passa por acelerar a inovação e manter a conexão com o campo. “A UPL vem se posicionando como uma grande plataforma de inovação, com renovação constante do portfólio. Meu objetivo é manter a empresa orientada para fora, próxima do agricultor, sem perder agilidade nem se tornar burocrática”, afirmou.
“Eu sempre fui uma pessoa muito próxima do agricultor e pretendo seguir estimulando a organização nessa direção”, destacou.
Para 2026, mesmo com a guerra, a empresa está otimista com a forma de fazer negócios. Segundo Figueiredo, a UPL encerra o atual ano fiscal com estoques considerados confortáveis, mas ainda vê incertezas no horizonte.
“Estamos bem posicionados para cumprir os compromissos neste fechamento, mas ainda é prematuro falar dos próximos meses. Há impactos em produtos intermediários, frete, e precisamos avaliar com cautela o que pode ser repassado ao mercado e o que ele consegue absorver”, disse.
Entretanto, ainda não há clareza sobre eventuais repasses de preços para a safra 2026/27, acrescenta.
No último ano, a UPL também fez um enxugamento operacional e mudanças societárias, as quais Figueiredo descartou ter qualquer relação com sua liderança. “A simplificação societária da UPL é um movimento mundial e não tem correlação com a liderança no Brasil”, disse.
Figueiredo
Brasil no centro da estratégia
Com forte presença no agronegócio global, a companhia vê o Brasil como peça-chave para seu crescimento. Segundo o CEO, o país é estratégico para qualquer empresa com ambições no setor.
“O Brasil tem um potencial agrícola muito grande e, para todos os players com ambição no agro, é preciso jogar bem e ter participação relevante no país. Apostamos muito na resiliência do produtor brasileiro, na produção sustentável e no uso de tecnologia”, afirmou.
A empresa vem ampliando sua atuação no país com lançamentos e reforço no portfólio. Nesta safra, serão oito novos produtos, entre químicos e biológicos, voltados à proteção de cultivos. “A UPL vem se destacando pela capacidade de introduzir novas tecnologias. Estamos investindo tanto em proteção de cultivos quanto em biocontrole e bioestimulação”, disse.
Os resultados financeiros mais recentes da empresa, divulgados no início deste ano, mostraram certa resiliência. No terceiro trimestre de 2025, a UPL conseguiu crescer 12% em receita, ainda que divulguem só os números globais, o novo CEO assegura que o Brasil está entre os maiores players.
Segundo o executivo, a companhia mantém cerca de 400 profissionais no campo, em contato direto com agricultores, cooperativas e distribuidores. Na tentativa de manter sua rentabilidade, mesmo diante de uma geoeconomia mais acirrada, vai manter este quadro ‘in loco’ de olho na estratégia de proximidade no campo.
“Um dos segredos é ter pessoas no campo, levando tecnologia para todos os hectares do país. Temos uma estratégia de acesso muito sólida, com parceiros de longa data, o que ajuda inclusive em momentos de restrição de crédito, criando soluções conjuntas para seguir prosperando.”
Atualmente, a empresa atua em diversas culturas, com destaque para a soja, mas com presença relevante também em milho, algodão e café.
“Jogamos em todas as culturas, com uma posição super competitiva. A representatividade está ligada ao tamanho de cada mercado, mas temos um portfólio bem equilibrado.”
Vantagem competitiva e cenário global
No cenário internacional, a UPL aposta em sua estrutura industrial integrada como diferencial competitivo, com forte presença na Ásia. “A empresa tem uma vantagem competitiva imensa na manufatura, com capacidade de síntese e formulação. Boa parte da produção está na Índia, além de fábricas na China e em outros países. Temos um supply chain bastante integrado, dominando o processo do início ao fim”, afirmou.
O executivo destacou ainda que a companhia monitora diariamente os impactos da guerra no Oriente Médio, especialmente sobre insumos estratégicos.
“Já existe impacto na disponibilidade de gás natural, que é essencial para a produção de agroquímicos, além de efeitos logísticos no frete. Mas estamos bem posicionados para abastecer os mercados, mesmo considerando esses impactos.”
