Em entrevista ao CNN Prime Time, a ex-jogadora Hortência relembrou momentos marcantes de sua amizade com Oscar Schmidt, destacando a admiração pelo ídolo do basquete brasileiro que faleceu nesta sexta-feira (17).
Hortência destacou ter testemunhado alguns dos momentos mais importantes da carreira de Oscar, incluindo a histórica vitória no Pan-Americano de Indianápolis contra os Estados Unidos, que o próprio Oscar considerava o momento mais feliz de sua vida. “Era uma explosão de patriotismo dentro do Oscar sempre que ele vestia a camisa do Brasil”, afirmou.
A ex-jogadora também relembrou quando viu Oscar enfrentar o primeiro “Dream Team” nas Olimpíadas de Barcelona em 1992, com Magic Johnson e Michael Jordan, descrevendo como um momento “muito lindo, muito bacana” que ficou gravado em sua memória como fã do atleta.
Dedicação e legado
Ao falar sobre o legado deixado por Oscar, Hortência enfatizou a dedicação do atleta aos treinos. “O legado do Oscar é o exemplo que ele dava, não só dentro da quadra, como fora também”, comentou. Ela relembrou uma entrevista em que Oscar contou sobre sua rotina de treinos, onde se desafiava a acertar 20 arremessos de três pontos seguidos sem errar, voltando ao início caso errasse no último arremesso.
“Teve um dia que ele ficou uma hora para fazer esses 20 arremessos de três pontos seguidos. E isso demonstra que a gente não pode desistir quando o negócio não está dando certo”, explicou Hortência, ressaltando a perseverança como uma das principais características de Oscar.
Além da dedicação em quadra, Hortência destacou que após encerrar a carreira como jogador, Oscar tornou-se um dos maiores palestrantes do Brasil. “Todo mundo queria ouvir essa história de superação, de luta, de determinação que ele passava dentro da quadra, ele trouxe para fora da quadra”, afirmou. “O Oscar, como eu definiria? O Oscar é um orgulho”.
Emoção à flor da pele
Questionada sobre o lado emotivo de Oscar, Hortência explicou que a emoção demonstrada pelo atleta era reflexo de sua entrega total ao jogo. “Isso demonstra a entrega dele. Ele se entregava de corpo e alma no jogo. Ele vestia camisa de verdade”, afirmou.
“Ele não gostava de perder, ele não gostava de errar. Ele treinava para acertar. Então, tanto na derrota como na vitória, o Oscar se emocionava”, contou. Segundo Hortência, essa emoção era contagiante e mexia com a torcida, sendo parte importante do legado que deixou para as novas gerações.
Sobre a histórica vitória contra os Estados Unidos no Pan-Americano de 1987, Hortência explicou a estratégia que levou ao triunfo brasileiro. “Quando eles voltaram do vestiário, eles mudaram a tática. Foi ali que os Estados Unidos começou a entender que o basquete agora não era mais aquela coisa de enterrada”, relatou. A ex-jogadora contou que a seleção brasileira explorou o arremesso de três pontos, algo em que os americanos não eram bons na época.
Hortência também compartilhou histórias sobre a relação de Oscar com sua família, especialmente com sua esposa, destacando os valores familiares que ele cultivava. “Ele se preocupava com os valores familiares”, afirmou, contando que a esposa de Oscar cuidava dele intensamente durante sua carreira, a ponto de ter sentido muito quando o atleta se aposentou.