O professor de Relações Internacionais da ESPM, Gunther Rudzit, analisou como o atual conflito no Oriente Médio pode impactar politicamente Donald Trump. De acordo com o especialista, tanto a China quanto a Rússia têm interesse na continuidade da guerra, pois isso pode gerar significativo desgaste político para o líder americano às vésperas das eleições de novembro.
“Os dois governos estão deixando Trump se afundar nessa guerra, e vão deixar. Eles fazem essa narrativa de que são a favor da paz, mas querem que essa guerra continue para que prejudique politicamente o presidente Trump nas eleições [de meio de mandato] de novembro”, explicou Rudzit durante o Hora H desta quinta-feira (2).
Questionado sobre a possibilidade de China e Rússia assumirem o papel de mediadores no conflito entre Estados Unidos e Irã, Rudzit destacou que, para haver mediação, é necessária a aceitação das duas partes envolvidas.
“Com certeza o governo iraniano aceitaria qualquer um desses dois como mediador. O problema hoje é o presidente Trump aceitar a China como mediadora”, afirmou Rudzit.
O especialista ressaltou que isso significaria uma dependência dos Estados Unidos em relação à China: “Na cabeça de Trump, ele depender de Xi Jinping é impensável”, observou. Quanto à Rússia, o professor avaliou que a situação seria menos problemática, já que Trump “admira a dureza e toda a forma de governar autoritária de Vladimir Putin”.
Rudzit também comentou sobre a continuidade do regime iraniano mesmo após a morte de vários de seus líderes. Segundo ele, o Irã se preparou para essa possibilidade:
“Os líderes regionais da Guarda Revolucionária, que comandam os mísseis e os drones, receberam planos de guerra, foram autorizados a usá-los quando tivesse esse ataque e a possibilidade de uma decapitação da liderança”.
O professor explicou que Trump deve continuar bombardeando a economia iraniana, evitando instalações petrolíferas e de dessalinização para não provocar retaliações contra aliados dos EUA no Golfo: “Mas isso não vai mudar a postura iraniana. Eles se prepararam para isso e o regime está preparado para ir até o fim porque está lutando uma guerra resistencial”, concluiu Rudzit.
