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Veja o que sabemos sobre as negociações entre Israel e Líbano

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Veja o que sabemos sobre as negociações entre Israel e Líbano

Autoridades israelenses e libanesas devem se reunir em Washington na próxima semana, enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, busca acalmar semanas de confrontos entre Israel e o Hezbollah, apoiado pelo Irã, que ameaçam comprometer um frágil cessar-fogo entre os dois países.

Ambos os lados estão sob pressão de Trump para pôr fim aos combates, uma exigência fundamental do Irã em negociações paralelas previstas para este fim de semana no Paquistão.

Quem está lutando e por quê?

Israel intensificou os ataques aéreos contra o Líbano depois que o Hezbollah disparou mísseis contra Israel em 2 de março, três dias após o início da guerra entre EUA e Israel contra o Irã.

Desde então, ampliou a invasão terrestre para o sul do Líbano, ordenando que milhares de libaneses fugissem de vilarejos considerados redutos do Hezbollah.

Pelo menos 1.888 pessoas foram mortas em ataques israelenses no Líbano, enquanto pelo menos dois israelenses foram mortos por foguetes disparados pelo Hezbollah.

A guerra atual sucedeu uma série de confrontos em 2024, durante os quais os EUA intermediaram um acordo com o objetivo de desarmar o Hezbollah. Desde então, o governo libanês ordenou ao exército que estabelecesse um monopólio estatal sobre essas armas, um esforço que Israel afirma ter fracassado.

O Hezbollah rejeita os apelos ao desarmamento, considerando seus mísseis e outras armas como um elemento de defesa nacional contra ataques israelenses. Após o acordo de 2024, Israel continuou a realizar ataques contra o que alegava serem depósitos e combatentes do Hezbollah.

Como surgiram as negociações?

Uma semana após o início da guerra, o presidente do Líbano, Joseph Aoun, expressou a disposição de iniciar negociações diretas com Israel para interromper os combates, chegando a afirmar que estava pronto para avançar com a normalização das relações.

Israel rejeitou essa oferta histórica, considerando-a tardia demais por parte de um governo que compartilha seu objetivo de desarmar o Hezbollah, mas não pode agir contra o grupo sem correr o risco de uma guerra civil.

A posição de Israel mudou depois que os EUA e o Irã chegaram a um acordo na terça-feira (7) para cessar as hostilidades.

Com o Irã insistindo que Israel interrompesse o fogo no Líbano antes das negociações no Paquistão, Trump disse ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em um telefonema na quinta-feira (9), para diminuir os ataques ao Hezbollah, segundo uma fonte familiarizada com o assunto.

Mais tarde, na quinta-feira, Netanyahu anunciou que Israel iniciaria negociações com o Líbano.

Quem lidera as negociações?

Dois funcionários israelenses disseram que conversas serão realizadas em Washington entre o embaixador de Israel nos EUA, Yechiel Leiter, e a libanesa, Nada Hamadeh Moawad. Um dos funcionários afirmou que os dois se encontrarão na próxima semana.

Na preparação para as negociações, Netanyahu nomeou Ron Dermer, ex-ministro de Assuntos Estratégicos e confidente próximo, para liderar eventuais negociações com o Líbano. Uma fonte familiarizada com o assunto disse que Dermer poderá participar de conversas posteriores, mas não é esperado em Washington na próxima semana.

O Líbano também escolheu Simon Karam, ex-embaixador libanês nos EUA, para chefiar a delegação libanesa nas negociações mais amplas. Autoridades libanesas disseram que ele também não estará presente na reunião da próxima semana.

Qual é a posição de Israel?

Netanyahu afirmou na quinta-feira (9) que Israel não interromperia os ataques contra o Hezbollah.

Ele afirmou que as negociações teriam como objetivo alcançar duas metas: desarmar o Hezbollah e garantir um acordo de paz entre Israel e o Líbano.

Netanyahu e outros funcionários não disseram se estariam preparados para reduzir as operações terrestres ou retirar-se de posições no Líbano, caso as negociações avancem. Israel tem bombardeado aldeias libanesas numa tentativa de criar uma “zona tampão” contra o Hezbollah para além da sua fronteira norte.

Um alto funcionário israelense afirmou que Israel reduziria os ataques antes das negociações. Outro alto funcionário israelense, com conhecimento das discussões no gabinete de Netanyahu, disse que Israel pressionaria o Líbano a demitir os ministros do Hezbollah do governo do país.

Qual é a posição do Líbano?

Um alto funcionário libanês afirmou que as negociações se concentrariam na discussão e no anúncio de um cessar-fogo, e que a data exata da reunião ainda não foi confirmada.

O funcionário afirmou que a posição do Líbano era de que um cessar-fogo era condição para que novas negociações pudessem ser realizadas com o objetivo de alcançar um acordo mais amplo com Israel.

O acordo do Líbano para realizar negociações reflete níveis sem precedentes de oposição interna ao status do Hezbollah como grupo armado. Em março, o governo proibiu o Hezbollah de realizar atividades militares.

Mas, com o Hezbollah ainda possuindo um poderoso arsenal e apoiado por uma parcela significativa da comunidade muçulmana xiita do Líbano, desarmar o grupo é um grande desafio para um Estado libanês frágil, que agora enfrenta um de seus momentos mais precários desde a guerra civil de 1975-90.

Os dois já conversaram antes?

Israel e Líbano não mantêm relações diplomáticas formais e, tecnicamente, estão em estado de guerra desde a fundação de Israel, em 1948.

Israel tem um longo histórico de incursões e invasões militares no Líbano, incluindo uma ocupação de 18 anos no sul do país, de 1982 a 2000, que começou como uma operação contra grupos palestinos.

Mais recentemente, Israel e Líbano realizaram negociações mediadas pelos EUA em 2022, que resultaram em um acordo bilateral estabelecendo uma fronteira marítima entre os dois países.

Em dezembro de 2025, as duas partes realizaram conversas indiretas com os EUA em Naqoura, no sul do Líbano, para tentar consolidar o acordo que pôs fim aos combates entre Israel e o Hezbollah em 2024.

Entenda o que é o Hezbollah e como surgiu o grupo libanês

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