Venda de cimento bate recorde e cresce 9% em março

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Venda de cimento bate recorde e cresce 9% em março

A comercialização de cimento no Brasil em março cresceu 9,1% sobre um ano antes, atingindo recorde para o mês de 5,79 milhões de toneladas, impulsionada por crescimento de dois dígitos na Região Nordeste, segundo dados apresentados nesta quinta-feira (9) pelo sindicato de fabricantes do material, Snic.

“O Nordeste teve um desempenho excepcional em razão do sucesso do Minha Casa, Minha Vida“, afirmou o presidente do Snic, Paulo Camillo Penna, em entrevista à Reuters.

As vendas de cimento no Nordeste, onde o programa habitacional do governo federal tem apoiado lançamentos de novos empreendimentos, cresceram 16,4% em março sobre um ano antes, atingindo 1,28 milhão de toneladas.

O Nordeste teve o melhor desempenho de vendas de cimento no mês passado entre todas as regiões do país, e também no primeiro trimestre, com expansão de 10%, a 3,66 milhões de toneladas.

Enquanto isso, no maior mercado do país, o Sudeste, a venda de cimento no trimestre passado caiu 2,8% sobre um ano antes, para 7 milhões de toneladas. A região foi a única do país a mostrar retração no período, segundo os dados do Snic.

O desempenho do Sudeste, disse Penna, pode ser explicado pelo intenso período chuvoso do início do ano.

Na comparação por dia útil, as vendas de cimento em março no Brasil caíram 2,3% sobre um ano antes, para 241,2 mil toneladas, recuando 1,2% ante fevereiro. No trimestre, a venda total somou 15,9 milhões de toneladas, avanço de 1,8%, dentro das projeções do Snic para o ano, disse Penna.

No entanto, diante do choque recente gerado nos preços do petróleo pela guerra no Oriente Médio, a entidade avalia trabalhar com um intervalo de entre 1% a 2% de crescimento no ano, afirmou o presidente do Snic.

“Estamos extremamente preocupados com isso”, disse Penna, referindo-se ao cenário de aumentos de preços do cimento pesarem sobre as vendas do ano. “Em que pese o bom desempenho do MCMV, avanço do pavimento rígido (que usa concreto) e outros vetores, nesse cenário do petróleo, eu seria mais conservador”, acrescentou.

Nas contas do Snic, cerca de 90% das matérias-primas recebidas e o escoamento do produto acabado são transportados por via rodoviária, e o aumento do preço do diesel impacta diretamente o frete.

Penna afirmou que desde o agravamento da crise no Oriente Médio, com os ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, o frete rodoviário subiu 25%. Segundo ele, incluindo o aumento do custo do coque de petróleo, “o preço do cimento está impactado em 13%”.

Para além da crise no Oriente Médio, o setor cimenteiro também vê possível impacto de até 15% no custo com o fim da jornada de trabalho 6×1 sem redução de salários, disse Penna.

Além disso, uma eventual mudança na legislação que obrigue o setor a usar sacos de cimento de até 25 quilos, em vez dos 50 quilos atuais, pode adicionar outros R$6,5 bilhões em custos para o setor, afirmou o presidente do Snic.

Um projeto de lei que proíbe a fabricação e comercialização de sacos de cimento com mais de 25 quilos ganhou regime de urgência este ano no Congresso e pode ser votado a qualquer momento no plenário da Câmara dos Deputados, sem passar pela análise das comissões permanentes da Casa.

“Isso é péssimo… A troca de 50 quilos para 25 quilos impacta a indústria em R$ 6,5 bilhões em custo adicional”, disse Penna, citando necessidade de investimentos para alteração em sistemas que incluem logística até os pontos de venda.

A discussão no Congresso ocorre apesar do setor ter acertado em 2018 um acordo de 10 anos com o Ministério Público do Trabalho para a redução do peso dos sacos de cimento, e em meio a discussões para uma extensão desse prazo para além de 2028, disse Penna.

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