Viva Maria: A Força do Lava-pés na Quinta-feira Santa

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Viva Maria: A Força do Lava-pés na Quinta-feira Santa

Saudações de força e fé porque esta Quinta-feira é Santa, pelo menos à luz do calendário católico que nos chama a contemplar um dos gestos mais profundos de amor e humildade: o lava-pés. Em essência, esse rito religioso cristão traduz de maneira profunda e rara o verdadeiro sentido do amor ao próximo porque inverte a lógica social do poder ao mostrar o Mestre Jesus servindo aos seus na Última Ceia.

Ao se curvar diante de seus discípulos Jesus nos ensina, com as próprias mãos, que servir é o maior dos caminhos da cristandade! E ao falar dessa cena não posso me furtar a um testemunho! Falo de uma experiência que ainda faz pulsar mais forte meu coração! O fato aconteceu em outubro do ano passado durante a celebração do Círio de Nazaré, reconhecido como uma das maiores manifestações religiosas e culturais do mundo!

Eu sou de lá / Onde o Brasil verdeja a alma e o rio é mar / Eu sou de lá / Terra morena que amo tanto, meu Pará…

Mesmo para quem não é de lá, a visita à Casa de Plácido, durante o Círio em Belém é uma iniciação. Ali, naquele caldeirão de humanidades, entre lágrimas e promessas, os testemunhos dos romeiros revelam feridas que não estão apenas nos pés cansados da longa caminhada, mas também nos corações marcados pela fé e pela esperança.

Gente que caminha por dias, às vezes semanas, movida por uma devoção que ultrapassa o corpo. E, do outro lado, mãos generosas. Voluntárias e voluntários que se inclinam, com paciência e ternura, para lavar, cuidar, enxugar. Não apenas os pés feridos, mas a dor, a história, a vida de cada peregrino.

Foi lá que encontrei a enfermeira Maria Elizabeth Cardoso Cerqueira. Moradora de Belém, ela é voluntária da Casa de Plácido há mais de seis. Ela falou da motivação para estar presente mais aquele ano no Círio de Nazaré, lavando os pés dos romeiros.

“Depois que a gente vem pela primeira vez, a gente fica contando o tempo para chegar o próximo ano do Círio para a gente poder participar. É um negócio que a gente fica extremamente esperando… Eu já passei em todos os setores aqui, mas eu me identifiquei aqui. Acho que aqui é um local, assim, que diz tudo aquilo que Deus falou e ensinou para a gente. Nós temos caminhantes de muitos quilômetros… temos gente que vem de Mocajuba… o povo vem caminhando, eles não medem a distância, eles medem a necessidade e a vontade de chegar.”

É impossível não se emocionar. A devoção do povo paraense à Rainha da Amazônia toma conta das ruas, das águas, da alma. E quando a imagem de Nossa Senhora de Nazaré navega por Belém, é como se anunciasse, mais uma vez, que o Círio é eterno. E que a fé, quando partilhada, se transforma em gesto concreto de amor. Esse foi o caso de Elias Yan de Sousa Moura.

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