Não é comum Vladimir Putin e Donald Trump levarem uma sapatada ao mesmo tempo, mas é o que os eleitores na pequena Hungria – na comparação com os grandes na Europa – fizeram nas eleições do último domingo (12).
Mandaram para casa o chefe de governo que era adulado ao mesmo tempo pelo ditador russo e pelo presidente americano.
Por Putin, pelo apoio do derrotado Viktor Orbán à Rússia na guerra da Ucrânia. Por Trump, por ser um símbolo na Europa do MAGA – e sua ideologia de direita bem para lá da direita tradicional.
É difícil ressaltar o suficiente o peso dessa eleição, em um país de apenas 10 milhões de habitantes.
Em primeiro lugar, peso na política, pois Viktor Orbán simbolizava – e atraiu a adesão empolgada também de setores da direita brasileira – como solapar instituições democráticas para fundar um projeto, digamos assim, iliberal.
Em segundo lugar, o peso dessa eleição é geopolítico, pois tira da Rússia um aliado importante que dificultava a ajuda da União Europeia para a Ucrânia.
Em terceiro lugar, tem peso também no campo da economia. Boa parte da acachapante derrota de Orbán veio de péssimos resultados na economia, com o empobrecimento relativo da Hungria frente a vizinhos.
E da corrupção. A Hungria até aqui estava na vitrine de como as democracias morrem.
Agora, pelo voto sobretudo de jovens, figura na vitrine de como democracias conseguem sobreviver.
