O Centrão tem se posicionado contrário a uma anistia ampla para os condenados pelos atos de 8 de janeiro, frustrando as expectativas de grupos bolsonaristas que esperavam apoio para uma medida mais abrangente. A movimentação do grupo político indica preferência por uma versão mais moderada da proposta, que não incluiria perdão generalizado. A apuração é de Julliana Lopes no CNN Arena.
Durante a reta final do julgamento dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro, o Centrão manteve conversas com o PL e a oposição no Congresso Nacional, gerando expectativas de apoio a uma anistia mais ampla. O PL chegou a realizar articulações que envolveram o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), mas as esperanças foram gradualmente dissipadas.
Nos últimos dias, integrantes da legenda perceberam que o Centrão considera mais viável aprovar uma anistia mais restrita, que não contemplaria o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A proposta atual focaria em aliviar algumas penas dos condenados pelo 8 de janeiro, sem estabelecer um perdão generalizado.
Apesar de manterem uma campanha nas redes sociais em defesa da anistia ampla, nos bastidores os bolsonaristas reconhecem que a proposta perdeu força devido ao posicionamento do Centrão. Os líderes do grupo político consideram que uma medida mais abrangente poderia ser impopular, levando em conta pesquisas que indicam que a maioria da população é contrária à anistia.
Negociações em andamento
As discussões sobre o texto da anistia seguem em curso, com uma reunião prevista para definir os próximos passos. A medida é considerada prioritária pelos aliados de Bolsonaro, junto com a PEC da blindagem parlamentar, que está em votação na Câmara dos Deputados.
O tema se insere em um contexto mais amplo de negociações no Congresso Nacional, onde governistas buscam evitar que a oposição e o Centrão barrem projetos prioritários para o governo, como a ampliação da isenção do imposto de renda.
