Venezuela faz demonstração de força em resposta à presença militar dos EUA

As Forças Armadas da Venezuela têm divulgado ativamente nas redes sociais os preparativos para se defender de uma possível ofensiva dos Estados Unidos em todo o país, enquanto as tensões com o governo Trump aumentam.

Neste sábado (29), o presidente americano declarou que o espaço aéreo venezuelano deve ser considerado totalmente fechado. A declaração foi rejeitada pela chancelaria chavista, que classificou a fala como “ameaça colonialista”.

Especialistas afirmam que a nova e exagerada demonstração de força por parte da Venezuela, que incluiu sobrevoos de caças a baixa altitude sobre grandes cidades e exercícios com munição real na costa, tem como objetivo atrair atenção para as capacidades militares do país.

A CNN analisou imagens das forças militares venezuelanas, verificou vídeos nas redes sociais e outros dados de fonte aberta desde o início de setembro para explorar como o regime do ditador Nicolás Maduro exibe o poder militar comparativamente modesto durante a tensão com os EUA.

Os preparativos da Venezuela foram respondidos com demonstrações de poder aéreo e naval dos EUA no Caribe, incluindo uma “demonstração de ataque” nesta quinta-feira (27) que apresentou uma aeronave de reconhecimento, um avião de ataque e um bombardeiro, entre outras aeronaves.


O navio USS Gerald Ford, avistado pela primeira vez no Caribe pelo pesquisador de código aberto SA Defensa na sexta-feira, 22 de novembro, perto de dois destróieres da Marinha • European Space Agency via CNN Newsource

“Os Estados Unidos são obviamente a força dominante. Não há surpresas nisso. Mas não devemos ser displicentes”, disse Ryan Berg, diretor do Programa das Américas do CSIS (Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais), à CNN. Ele enfatizou que ninguém deve subestimar as capacidades venezuelanas.

Berg acredita que, embora em desvantagem no Caribe, isso poderia se tornar uma luta existencial para o regime de Maduro — e está claro que a Venezuela está se preparando para todas as possibilidades.

Reforçando a capital da Venezuela

A capital venezuelana, Caracas, está sendo fortificada com novas camadas de defesa.

Ao longo da rodovia Caracas-La Guaira, uma rota crítica que conecta o litoral do Caribe a Caracas, uma série de barreiras antiveículos de concreto tipo “ouriço” foi ampliada.

As autoridades venezuelanas publicaram imagens no início do mês da rodovia, que foram verificadas pela CNN, mostrando dezenas dos obstáculos de concreto ao lado de um maquinário pesado com o logotipo militar.


Obstáculos antiveículos tipo "ouriço" vistos ao longo da rodovia que leva a Caracas, na Venezuela
Obstáculos antiveículos tipo “ouriço” vistos ao longo da rodovia que leva a Caracas, na Venezuela • Região de Defesa Integral Estratégica – Capital nº 8. via Instagram

Embora a data exata da instalação permaneça incerta, imagens recentes de satélite mostram esses obstáculos estrategicamente posicionados próximos a um ponto crucial, onde veículos blindados seriam forçados a reduzir a velocidade.

A localização não é coincidência: o corredor estreito é a única rota terrestre prática para qualquer força invasora chegar à capital, segundo especialistas.

Em um pronunciamento televisionado pela rede estatal VTV na quarta-feira (26), Maduro revelou um “plano de defesa abrangente” para Caracas e La Guaira, detalhando onde armas e sistemas poderiam ser implantados ao longo do corredor, “rua por rua, comunidade por comunidade”.

Sistemas de defesa aérea

Com a chegada de aviões de guerra e drones americanos avançados ao Caribe, as Forças Armadas de Maduro estão exibindo toda sua capacidade de defesa aérea.

Na semana passada, imagens divulgadas por uma unidade militar venezuelana mostraram um sistema móvel russo de defesa aérea, o radar de alerta antecipado P-18-2M usado para detectar aeronaves ou munições, implantado em uma base militar a leste de Caracas, na Ilha Margarita.

Outros sistemas foram exibidos durante exercícios de defesa aérea em um complexo militar na capital, incluindo um Buk-M2E de médio alcance. As FANB (Forças Armadas Nacionais Bolivarianas da Venezuela) possuem quase uma dúzia de outros, todos de fabricação russa, segundo dados do CSIS.

Plataformas antiaéreas como essas são fundamentais para proteger o espaço aéreo venezuelano, mas especialistas questionaram a condição de algumas.


Radar de alerta antecipado P-18-2M implantado na Ilha Margarita, na Venezuela, apareceu em imagens da FANB
Radar de alerta antecipado P-18-2M implantado na Ilha Margarita, na Venezuela, apareceu em imagens da FANB • Brigada de Defesa Aérea Marítima e Insular via Instagram

Aparentemente numa tentativa de dissipar preocupações, uma unidade da FANB publicou imagens de soldados limpando com água e sabão um sistema antiaéreo Pechora S-125 de menor alcance.

Mas ainda há dúvidas sobre a prontidão de combate de outras plataformas, como os sistemas de mísseis terra-ar S-300 de longo alcance comprados pela Venezuela há anos, que têm estado notavelmente ausentes da mídia governamental e dos exercícios nas últimas semanas.

Esses desenvolvimentos ocorrem apenas semanas após um avião misterioso — sancionado por transportar carga para aliados russos na lista negra dos EUA — pousar na capital.

Embora ainda não esteja claro o que foi entregue, o parlamentar russo Alexei Zhuravlev afirma, em entrevista ao jornal russo Gazeta.ru, que foram transportados novos sistemas de defesa aérea Pantsir-S1 e Buk-M2E para Caracas.


Soldados da Venezuela limpam sistema de mísseis terra-ar S-125
Soldados da Venezuela limpam sistema de mísseis terra-ar S-125 • Zona Operativa de Defensa Integral 51 via Instagram

A entrega pode ter incluído também mísseis modernos que fortaleceriam significativamente a rede de defesa aérea da Venezuela, segundo disse à CNN Mark Cancian, coronel aposentado do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA.

A CNN também entrou em contato com o Ministério da Defesa venezuelano sobre o voo e aguarda retorno.

Exercícios com munição real e movimentação de tropas

Na Academia Militar da Venezuela, no sul de Caracas, integrantes das Forças Armadas praticam ataques com pequenos drones com a ajuda de um videogame popular, como mostrado em imagens divulgadas pelo Exército Venezuelano.

Com o simulador improvisado, soldados venezuelanos treinam em meio a um esforço mais amplo para aumentar a prontidão das forças em todo o país.

Em outro campo de batalha simulado, imagens compartilhadas por um comandante da FANB mostram tropas venezuelanas realizando exercícios com munição real perto de uma ilha desabitada a menos de 40 quilômetros de onde navios de guerra americanos recentemente atracaram em Trinidad e Tobago.

Campanhas nacionais de alistamento começaram em agosto, quando Maduro convocou voluntários para se juntarem à milícia bolivariana para fortalecer as defesas do país.

A milícia, uma força de reserva composta por civis, é um ramo das Forças Armadas Venezuelanas.

Enquanto as forças militares convencionais têm aproximadamente 123 mil soldados, Maduro afirma que a milícia voluntária cresceu para 8 milhões, embora especialistas questionem tanto esse número quanto a qualidade do treinamento das tropas.


Recrutas da milícia venezuelana treinam com fuzis
Recrutas da milícia venezuelana treinam com fuzis • Ministério do Poder Popular para a Defesa via Instagram

Poder aéreo em exibição

Longe dos campos de teste de munições e instalações de treinamento, civis na Venezuela estão observando o regime de Maduro exibir o poder aéreo.

No centro de Maracay, uma das maiores cidades da Venezuela, pedestres olharam para cima para ver caças F-16 sobrevoando museus e centros comerciais; e na luxuosa Ilha Margarita, aviões de guerra Su-30 de fabricação russa passaram pelo céu.

Os sete aviões de guerra vistos representam cerca de 20% das aeronaves de combate da Venezuela, segundo dados publicados pelo CSIS.

Sem acesso a peças de reposição e manutenção regular, Berg explicou que eles estão “utilizando preciosas horas de voo… para demonstrar (o poder aéreo venezuelano).”

A Força Aérea do país é pequena, com a maioria dos aviões de ataque em condições de voo sendo jatos Su-30 de fabricação russa, além de alguns caças F-16 e F-5 comprados dos EUA há décadas, que poderiam enfrentar uma presença americana formidável no Caribe.

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