A população de Honduras vai às urnas neste domingo (30) para escolher quem será o sucessor da presidente Xiomara Castro.
A maioria das pesquisas de opinião mostra um empate técnico entre a candidato do partido no poder, Rixi Moncada, o ex-prefeito de Tegucigalpa, Nasry Asfura, do Partido Nacional, e o apresentador de TV Salvador Nasralla, do Partido Liberal.
Veja quem são os principais candidatos:
Rixi Moncada

Professora e advogada de 60 anos, Moncada concorre à presidência do partido Liberdade e Refundação (LIBRE), que governa o país desde 2022.
Moncada ocupou vários cargos nos setores público e privado: foi juíza, magistrada, assessora da Procuradoria-Geral da República e professora e, desde 2006, liderou vários ministérios, incluindo Trabalho e Segurança Social, Finanças e Defesa.
Ela nasceu em 13 de fevereiro de 1965, no pequeno município montanhoso de Talanga, cerca de 52 quilômetros ao norte da capital Tegucigalpa. Ela partiu para a capital para continuar seus estudos e se formou aos 17 anos.
Moncada começou sua carreira política como conselheira no Congresso. Em 2006, o presidente de esquerda Manuel Zelaya (2006-2009) nomeou-a secretária do Trabalho. Após um golpe contra Zelaya em meados de 2009, Moncada permaneceu leal e foi uma das fundadoras de um grupo que exigia o retorno de Zelaya ao poder, que se tornaria o partido LIBRE em 2012.
Em 2009, ela enfrentou acusações de corrupção em um contrato de arrendamento de um edifício para a empresa estatal de energia ENEE, que ela liderava na época. O caso foi arquivado em 2010. Os críticos também a acusam de nepotismo por colocar parentes em cargos públicos, uma alegação que ela nega, dizendo que são “pessoas trabalhadoras que ganham salários mínimos”.
Moncada propôs “democratizar a economia” através da expansão do crédito, do fortalecimento da produção nacional e da construção de um modelo econômico que gere “oportunidades reais para todos”. Ela também propôs mudanças na Constituição para uma reforma judicial.
“Nossa luta contra a corrupção é frontal e sem medo. Para reformar o sistema de justiça só há um caminho: ter maioria no Congresso”, disse Moncada durante a campanha.
Nasry “Tito” Asfura

Político e empresário de 67 anos, Asfura concorre pela segunda vez consecutiva à presidência pelo Partido Nacional, alinhado à direita conservadora.
O último presidente ligado ao partido, Juan Orlando Hernández (2014-2022), cumpre pena nos Estados Unidos por acusações de tráfico de drogas. Na sexta-feira (28), o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que concederia “perdão completo e total” ao ex-presidente.
Trump também declarou publicamente seu apoio a Asfura, chamando-o de “o único verdadeiro amigo da liberdade em Honduras”. Em uma postagem na Truth Social, o presidente americano disse que os EUA não “jogarão dinheiro” a Honduras se Asfura não vencer a eleição.
Asfura nasceu em Tegucigalpa em 8 de junho de 1958, em uma família de ascendência palestina. Ele estudou engenharia civil, mas não concluiu o curso. Na década de 1990, ingressou na vida pública durante a administração de Nora Gúnera, ex-primeira-dama e primeira prefeita de Tegucigalpa, de 1990 a 1994.
Funcionário eficiente, mas discreto, integrou administrações municipais subsequentes, sendo também deputado federal e ministro de investimentos sociais.
Nas eleições gerais de 2013, Asfura tornou-se prefeito do Distrito Central, que inclui Tegucigalpa e Comayagüela. Sua gestão foi caracterizada pela construção de obras de infraestrutura rodoviária, o que garantiu sua reeleição em 2017. Nesse período, ganhou o apelido de “Papi, ao seu serviço” por suas obras públicas.
Apesar de projetar uma imagem modesta e trabalhadora, sempre vestido com jeans e mangas arregaçadas, ele está sob investigação, junto com outros ex-funcionários de sua administração na capital, por supostamente fazer parte de um esquema de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro. O candidato afirmou que as ações contra ele têm motivação política e nega irregularidades.
“Os extremos não funcionam”, disse ele durante a campanha, quando questionado se representa a ultradireita. “É preciso buscar o equilíbrio (…) As pessoas não se importam se você é feio ou bonito, se você é esquerda ou direita, verde, vermelho ou azul; o que elas querem são soluções”.
Ele disse que o investimento privado é necessário para fazer o país avançar e que a sua agenda política está focada no emprego, na educação e na segurança.
Salvador Nasralla

O apresentador de televisão de 72 anos concorre pelo Partido Liberal, um movimento centrista que governou o país, em alternância com o Partido Nacional, desde o final do século XIX até 2022. Ele propõe a restauração do Estado de direito e o combate à corrupção.
Depois de uma carreira de mais de 40 anos na televisão e como apresentador de eventos, Nasralla concorreu à presidência em 2013 por um partido que ajudou a fundar e ficou em quarto lugar.
Tentou novamente em 2017, com uma coligação de diferentes partidos, mas perdeu novamente, desta vez ficando em segundo lugar numa eleição acirrada e marcada por acusações de fraude.
Em 2022, tornou-se vice-presidente de Castro, cargo ao qual renunciou em 2024 para fazer uma terceira candidatura à presidência – desta vez pelo Partido Liberal.
Ele nasceu em Tegucigalpa em 30 de janeiro de 1953, filho de pai hondurenho e mãe chilena de ascendência libanesa. Durante a adolescência, trabalhou no radiojornalismo. Em seguida, foi morar com parentes no Chile, onde estudou Engenharia Civil Industrial e fez mestrado em Administração de Empresas. Ao retornar a Honduras, tornou-se gerente geral da PepsiCo no país e professor universitário.
Em 1981, iniciou sua carreira na televisão cobrindo esportes. Uma década depois, ele lançou “X-0 Gives Money”, um game show altamente popular com prêmios em dinheiro.
“Minha casa é o Partido Liberal”, disse Nasralla ao entrar no partido em julho de 2024.
