O cinema brasileiro vive um momento de visibilidade no cenário internacional, com filmes e profissionais figurando entre os principais prêmios da indústria — sendo principalmente o caso de “Ainda Estou Aqui” (2024) e, mais recentemente, “O Agente Secreto” (2025).
Em entrevista à CNN, o diretor de fotografia Adolpho Veloso, representado nesta temporada de prêmio pelo trabalho no longa-metragem americano “Sonhos de Trem”, ressaltou que esse reconhecimento é resultado não apenas da qualidade artística das obras, mas também de um fator decisivo: o engajamento do público brasileiro.
Segundo ele, o destaque recente do país no exterior não surgiu do acaso, mas de um processo que demorou a acontecer. “É um reconhecimento tardio, porque o cinema brasileiro sempre teve talentos, não é de hoje”, ressaltou.
Para o diretor, uma das principais diferenças agora está na forma como o Brasil passou a ocupar espaço e gerar impacto fora de suas fronteiras. Ele observa que o cinema nacional vive uma espécie de “boa fase”, impulsionada por uma mobilização coletiva que vai além das telas.
“Existe uma coisa de o cinema brasileiro estar ‘na moda’, de certa maneira, e isso tem muito a ver com o engajamento brasileiro. As pessoas aqui começaram a entender a força dos brasileiros nas redes sociais. É quase um reconhecimento conquistado pelo Brasil todo. Tem muitos talentos, muitos filmes incríveis sendo feitos o tempo inteiro, no Brasil e fora.
Veloso destaca o número expressivo de brasileiros entre os pré-selecionados do Oscar neste ano, em diferentes categorias, como um sinal claro dessa expansão.
“É só ver a quantidade de brasileiros nos pré-indicados do Oscar esse ano: curta, documentário, filme internacional, possibilidade de melhor ator.”
O próprio Veloso foi pré-indicado ao Oscar e ao BAFTA, após ter ganho o prêmio de Melhor Fotografia no Critics Choice Awards 2026.
O sentimento é de celebração coletiva. Para o diretor, o momento vai além de conquistas individuais e se transforma em uma experiência de torcida nacional.
“É tanta coisa que é difícil não ficar feliz e não entrar num clima de Copa do Mundo.”
Ambientado no Recife de 1977, “O Agente Secreto” é um thriller político, que acompanha Marcelo, um professor que foge de um passado misterioso e volta ao Recife em busca de paz, mas logo percebe que a cidade está longe de ser o refúgio que procura.
Já “Sonhos de Trem” segue Robert Grainier, um trabalhador ferroviário e madeireiro no início do século XX no oeste americano, que enfrenta a solidão e o luto após uma tragédia familiar, refletindo sobre a passagem do tempo, a perda e o impacto do progresso industrial na natureza e na vida humana, numa jornada poética e visualmente deslumbrante sobre a memória e a busca por sentido.
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