Um suspeito foi preso após um incêndio atingir a Beth Israel, a única sinagoga de Jackson, no Mississippi, neste fim de semana, forçando a congregação a reconstruir a partir das cinzas mais uma vez.
Os investigadores ainda não determinaram a motivação do incêndio, que segue sob investigação, mas o caso ocorre em meio a uma onda de ataques antissemitas nos últimos anos.
Espera-se que o suspeito responda por incêndio criminoso, segundo Charles Felton, chefe de investigações da Divisão de Incêndios Criminosos do Corpo de Bombeiros de Jackson.
O suspeito, que não foi identificado, foi encontrado em um hospital local com queimaduras. Ele não corre risco de vida e, assim que receber alta, deve ser entregue à custódia do FBI, que também deve apresentar acusações, disse Felton.
“O Corpo de Bombeiros de Jackson respondeu rapidamente, conteve as chamas e extinguiu o fogo”, afirmou o prefeito de Jackson, John Horhn.
Chamas foram vistas saindo pelas janelas do prédio e todas as portas estavam trancadas quando os bombeiros chegaram ao local, informou o Corpo de Bombeiros de Jackson em comunicado.
O FBI está trabalhando com autoridades policiais locais na investigação, informou à CNN o escritório da agência em Jackson.
Crimes de ódio são “a mais alta prioridade do programa de direitos civis do FBI, devido ao impacto devastador que têm sobre famílias e comunidades”, segundo a agência.
Esta não é a primeira vez que a sinagoga é incendiada. Em 18 de setembro de 1967, o templo da Beth Israel foi alvo de um atentado a bomba cometido por membros locais da Ku Klux Klan, em parte por causa do trabalho da congregação no movimento pelos direitos civis, de acordo com o site da sinagoga.
A congregação pretende reconstruir sua “instituição querida”, disse Zach Shemper, presidente da congregação.
“Somos um povo resiliente. Com o apoio da comunidade, vamos reconstruir. A Congregação Beth Israel tem sido o lar espiritual judaico em Jackson, Mississippi, há mais de 160 anos”, afirmou Shemper em comunicado à CNN.
A congregação ainda está avaliando os danos, mas continuará com os cultos e outros programas. Além disso, várias igrejas locais ofereceram à Beth Israel o uso de seus prédios durante a reconstrução, disse Shemper.

Os investigadores determinaram que o incêndio começou na biblioteca da sinagoga, que sofreu danos extensos, e se espalhou em direção ao santuário, disse Felton. Ele acrescentou que há danos causados pela fumaça em todo o edifício, o que significa que a congregação não poderá retornar por algum tempo.
Vários rolos da Torá foram destruídos, segundo o Comitê Judaico Americano, que condenou o incidente como um “ato de ódio”.
Há danos “significativos” à biblioteca e aos escritórios do templo, além de fumaça e cinzas por todo o prédio, disse Michele Schipper, ex-presidente da Beth Israel.
Ela acrescentou que a congregação tem recebido “apoio extraordinário da comunidade”.
“Estamos todos devastados, mas prontos para reconstruir e, com o apoio e a mobilização da nossa comunidade, continuaremos a ser uma comunidade judaica vibrante em Jackson, Mississippi”, disse Schipper.
O Goldring/Woldenberg Institute of Southern Jewish Life, uma organização sem fins lucrativos que oferece serviços, educação e programação para apoiar, conectar e celebrar a vida judaica no Sul dos EUA, tem sede na Beth Israel, e muitos de seus funcionários são membros da congregação.
“Como a única sinagoga de Jackson, a Beth Israel é uma instituição querida, e é a união de nossos vizinhos e da comunidade ampliada que nos fará superar este momento”, afirmou o instituto em comunicado.
Nos Estados Unidos, incidentes antissemitas vêm aumentando há vários anos, com dados da Liga Antidifamação (ADL) mostrando que o número em 2024 atingiu o nível mais alto desde que a organização começou a monitorar esses casos, em 1979. Segundo o FBI, que aplica as leis federais sobre crimes de ódio e coleta estatísticas sobre atos de violência, as ameaças contra judeus nos EUA superam amplamente as dirigidas a qualquer outro grupo religioso.
“Atos de antissemitismo, racismo e ódio religioso são ataques a Jackson como um todo e serão tratados como atos de terror contra a segurança dos moradores e a liberdade de culto”, disse Horhn. “Atacar pessoas por causa de sua fé, raça, etnia ou orientação sexual é moralmente errado, antiamericano e completamente incompatível com os valores desta cidade.”
Carole Zawatsky, CEO do The Tree of Life, a sinagoga de Pittsburgh que em 2018 sofreu o ataque mais letal já registrado contra judeus nos EUA, classificou o ataque à Beth Israel como “horrível”.
“Lamentamos a destruição e a perda de segurança e proteção que vêm na esteira de tamanha violência”, disse ela. “O incêndio intencional de uma casa de culto judaica — especialmente uma com uma história tão marcante — causa medo e evoca o espectro do antissemitismo e do ódio.”
O incêndio não foi apenas um ataque a um prédio, disse Jim Berk, CEO do Centro Simon Wiesenthal, em Los Angeles.
“Foi um ataque ao coração da vida judaica no Sul e a um legado moldado em parceria”, afirmou Berk. “Uma casa de culto deve ser um santuário, não uma cena de crime. Quando o antissemitismo ataca, ele rasga o tecido da vida americana, ferindo não apenas os judeus, mas todos os que acreditam na liberdade de fé. A solidariedade demonstrada entre religiões e comunidades é um lembrete de que nossa força está em permanecermos unidos contra o preconceito e a violência.”
