A Justiça de São Paulo tornou a universitária Geovanna Proque da Silva, de 21 anos, ré por duplo homicídio triplamente qualificado nesta segunda-feira (12), por perseguir, atropelar e matar o namorado e uma amiga. O crime aconteceu no Campo Limpo, zona sul da capital paulista, no último dia 28 de dezembro.
A decisão é da juíza Isadora Botti Beraldo Moro, da 5ª Vara do Júri, que aceitou uma denúncia do MPSP (Ministério Público do Estado de São Paulo).
Na denúncia, obtida pela CNN Brasil, a promotora Daniela Romanelli da Silva argumentou que o relacionamento da ré com a vítima, Raphael Canuto Costa, era “permeado por brigas, ameaças de morte e crises de ciúmes”, por parte de Geovanna.
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A promotora escreve, ainda, que o crime foi praticado por motivo torpe e classifica as razão do delito como “ciúme doentio”.
O MPSP ainda argumenta que a forma com que Geovanna cometeu o crime dificultou a defesa das vítimas, que, segundo a denúncia, foram pegas de surpresa e não puderam supor que seriam perseguidas e “brutalmente atropeladas”.
O meio utilizado foi cruel, ante a violência do abalroamento e dilaceração dos corpos.
Daniela Romanelli da Silva, promotora do MPSP
Além disso, a promotoria pede que a ré pague uma indenização de R$100 mil para cada uma das famílias das duas vítimas, tanto a de Raphael, quanto de Joyce Correa da Silva, que estava na garupa da moto do rapaz e também morreu.
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À CNN Brasil, o advogado Fabio Costa, que representa as famílias de Raphael e Joyce, afirmou que que recebeu com surpresa positiva o pedido de indenização às família por parte do MPSP, e que agora espera que a ré seja encaminhada para julgamento no Tribunal do Júri, popularmente conhecido como Júri Popular.
Então a partir de então oficialmente agora nós podemos dizer que ela é ré num processo de duplo homicídio triplamente qualificado. Próximo passo agora é esperar que a defesa da ré se manifeste.
Dr. Fabio Costa, advogado
A prisão de Geovanna já havia sido convertida de flagrante para preventiva após o crime, decisão que foi mantida no despacho que a tornou ré pelo crime.
A CNN tentou contato com a defesa de Geovanna Proque da Silva, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto.
Relembre o caso
De acordo com depoimentos, Geovanna e Raphael mantinham um relacionamento amoroso há cerca de um ano. No dia do crime, Raphael estava em um churrasco em sua casa, quando sua companheira começou a enviar mensagens com ciúmes de uma outra mulher que estava na festa, por volta das 2h.
As testemunhas relataram que a mulher seria amiga de infância da vítima e, por isso, o ciúmes de Geovanna não tinha fundamento.
Raphael, então, teria recebido uma mensagem da namorada que dizia: “Ou você resolve ou eu resolvo”. Pouco tempo depois, Geovanna foi à casa dele, junto de sua madrasta.
As duas entraram na casa, mas o rapaz conseguiu segurá-las em um corredor. Segundo relatos elas tentavam entrar na residência para arrumar briga.
Vendo que Geovanna não iria desistir, Raphael pegou sua moto e saiu para dar uma volta. Ela e a madrasta entraram em seu carro e seguiram o rapaz.
O rapaz teria encontrado Joyce, a segunda vítima, em um adega ali próximo para sair junto dele. Após isso, a mulher perseguiu os dois em alta velocidade por cerca de 500 metros.
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Geovanna, então, conseguiu alcançar os dois. Ela atropelou e logo depois passou por cima das vítimas e da motocicleta. Após a colisão, a moto teria sido lançada 30 metros a frente.
Veja o momento do atropelamento:
Geovanna tentou fugir mas ficou tonta
Após ficar tonta durante tentativa de fuga, Geovanna caiu em uma calçada. Populares que estavam próximos queriam linchá-la e, por isso, os policiais acionados para o caso a retiraram do local imediatamente.
Ela precisou de atendimento médico por estar com cortes superficiais nos braços e no pescoço. A jovem foi presa e, após audiência de custódia, a Justiça de São Paulo converteu a prisão em flagrante para preventiva.
Anteriormente, a mulher já havia sido diagnosticada com transtorno depressivo grave. Aos policiais, Geovanna admitiu ter feito uso de medicamentos antidepressivos e que já tentou tirar a própria vida anteriormente. No interrogatório, ela permaneceu em silêncio.
Ré foi transferida para presídio feminino
De acordo com a (SEAP) Secretaria da Administração Penitenciária, após ter a prisão preventiva decretada, a ré foi transferida para a Penitenciária Feminina Sant’Ana, na Zona Norte de São Paulo.
