O Palácio do Planalto minimiza as chances de crescimento do governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), nas pesquisas eleitorais e aposta que a corrida presidencial será pautada mais uma vez pela polarização entre petismo e bolsonarismo.
Na avaliação de auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), se Ratinho Jr. entrar efetivamente na disputa, ele estaria fadado a terminar a campanha com menos de 5% dos votos.
A convicção hoje, entre assessores diretos de Lula, é que sua candidatura atende especialmente aos interesses do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab.
O lançamento de Ratinho Jr. permitiria a Kassab sustentar uma posição de neutralidade do partido nas eleições presidenciais, fugindo de um compromisso de apoio tanto a Lula quanto ao pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro.
Na visão do Planalto, outro ponto é que uma candidatura própria à Presidência da República ajudaria o PSD no que mais importa à sigla: aumentar sua bancada na Câmara para mais de 60 deputados na próxima legislatura. Hoje são 47.
Para o Planalto, Kassab só faria o PSD apoiar formalmente uma candidatura se ela fosse a do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Sem Tarcísio na corrida presidencial, a entrada de Ratinho Jr. permitiria à legenda manter o discurso de independência, aliando-se tanto a um futuro governo Lula ou Flávio Bolsonaro em 2027.
Na pesquisa Genial/Quaest divulgada na semana passada, o governador do Paraná aparece com 7% a 11% das intenções de voto, dependendo do cenário.
Em outras sondagens feitas recentemente, ele já chegou a surgir como um dos nomes mais fortes em eventual segundo turno contra Lula, pontuando abaixo somente de Tarcísio e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL).
Para interlocutores próximos do petista, a alta popularidade de Ratinho Jr. estaria associada a uma incompreensão dos entrevistados nas pesquisas eleitorais, que acreditariam tratar-se do pai dele, o apresentador Ratinho.
Recentemente, Ratinho (pai) chegou a avisar auxiliares diretos de Lula, por telefone, que seu filho jamais o enfrentaria numa disputa para o Planalto.
No mesmo, conforme enfatizam essas pessoas, isso ocorreu em um contexto no qual Tarcísio vinha sendo apontado como o provável candidato da oposição e antes da escolha de Bolsonaro por Flávio.
Após duas conversas com Kassab, desde a virada do ano, Ratinho Jr. anunciou na semana passada sua disposição de assumir uma candidatura ao Planalto.
“Eu penso que, mais do que nomes, é projeto. Quem vai ter a capacidade de liderar um novo projeto para o Brasil. Se o meu nome for escolhido internamente, eu fico muito honrado e obviamente vou aceitar o desafio”, disse o governador, em uma agenda oficial em Curitiba.
