Com a cotação da castanha em alta no mercado internacional, catadores e comerciantes acreanos estão em uma verdadeira corrida contra o tempo. O objetivo é claro: não deixar nenhuma amêndoa se estragar na mata, enfrentando as intensas chuvas de janeiro que transformam ramais em lamaçais intransitáveis.
O jornalista Jota Guimarães contribui com a produção de uma excelente reportagem de campo em que traz um panorama muito autêntico da realidade amazônica, unindo a força econômica da castanha-do-brasil com os desafios logísticos do “inverno” acreano. Lembrando que, noutros tempos, sem esta iniciativa dos compradores que moram na cidade, os produtores somente conseguiam transportar as amêndoas em sacas que eles próprios carregavam nas costas, por varadouros e picadões, aumentando o tempo de entrega e diminuindo muito a quantidade que eles, sem nenhuma logística, conseguiam levar. Aos comerciantes, a grande vantagem de vencer as chuvas e o acesso quase intransponível é garantir, mesmo em tempos difíceis, a compra do produto pelos mercados europeu e americanos, onde a castanha chega a partir de portos como o de Belém do Pará após sair do Acre.
Veja a força-tarefa para evitar perdas e garantir renda a coletores e exportadores:
1. Tração Animal: O Boi como Aliado
Onde o barro impossibilita o giro das rodas, entra a força milenar. Colonos estão utilizando animais cargueiros para transportar a produção do coração da floresta até as margens dos rios.
vídeos obtidos com exclusividade pela reportagem de oseringal mostram bois domesticados carregando sacas pesadas em trilhas onde o acesso só é possível a pé.
A Valente Toyota Bandeirante
No Vale do Purus, a tecnologia e a insistência se encontram. O empresário Tassiano Macedo, do Empório da Castanha, investiu em caminhonetes Toyota Bandeirante — veículos icônicos conhecidos pela resistência extrema. A meta é buscar a produção diretamente na porta dos catadores, em locais antes considerados isolados para o comércio. E assim ele faz (veja).
Mesmo com os atoleiros desafiadores, a satisfação da equipe é evidente ao garantir o escoamento da safra.
Pelas Águas: O Caminho dos Batelões
Se por um lado a chuva castiga as estradas, por outro ela eleva o nível dos rios, abrindo as “estradas de água”. Barcos que antes serviam apenas para o transporte de passageiros, agora viajam carregados com toneladas de amêndoas, transformando-se em peças chave da logística regional.
Números e Economia: A Força da Castanha
A castanha-do-brasil consolidou-se como a segunda maior riqueza da balança comercial do Acre, superando o setor madeireiro e ficando atrás apenas da pecuária.
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Faturamento 2025: 9 milhões de dólares (aprox. R$ 55,4 milhões).
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Expectativa para 2026: Aumento de 30% no volume da safra em relação ao ano anterior.
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Preço Atual: A “lata” (12kg de amêndoas com casca) está cotada em R$ 140,00 em Rio Branco, com tendência de alta.
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Período de Safra: Intensifica-se entre dezembro e março.
A variação constante nos preços, impulsionada pela lei da oferta e da procura, mantém o mercado aquecido e motiva os extrativistas a superarem qualquer obstáculo geográfico.
