Integrantes da oposição acusam petistas de apoiar somente a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) restrita às negociações do Banco Master com o BRB (Banco de Brasília) por avaliarem que esse requerimento, na prática, tem mais dificuldades de avançar.
Governistas que apoiam a criação da comissão negam que haja qualquer segunda intenção.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), já avisou que vai respeitar a ordem cronológica dos pedidos de CPI. São cerca de 15 na fila, sendo que nenhuma CPI está em funcionamento na Câmara.
Dessa forma, para deputados da oposição, esse pedido encampado pelo deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), de oposição ao governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), “já nasce morto”.
“Esse apoio dos governistas é para inglês ver. Estão apoiando porque sabem que não tem futuro”, disse o líder da oposição na Câmara, deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB).
Governistas e oposicionistas têm divergido em torno das comissões para investigar ações do Master, liquidado pelo Banco Central.
Essa proposta de criação de uma CPI de escopo mais restrito encontrou maior respaldo entre deputados do PT do que a CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito), encabeçada por partidos de oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Congresso.
Ainda assim, dentro do PT não há consenso até em torno da CPI. O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), não assina o pedido. O novo líder do PT na Casa, Pedro Uczai (PT-SC), por sua vez, assina.
A eventual CPMI é vista com maior resistência pelo PT por ser sugestão da oposição e por ser mais abrangente. Portanto, em tese, mais difícil de controlar os temas abordados e com o objetivo de servir de palanque eleitoral de bolsonaristas, se desvirtuando de questões técnicas, na avaliação de petistas.
O pedido de CPMI da oposição pretende convocar o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, além de pessoas com relação com o governo Lula e com o Supremo Tribunal Federal. Apenas o senador Fabiano Contarato (PT-ES) subscreveu o pedido dentro a bancada petista no Senado.
“Nós sabemos que haverá resistência, porque a classe política tem muita gente envolvida. Existem pessoas poderosas — inclusive membros do Supremo Tribunal Federal — que estão envolvidos”, disse o autor do requerimento da CPMI, Carlos Jordy (PL-RJ).
Jordy cobra que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), autorize o início do colegiado logo após o Carnaval. No entanto, ainda não há data para uma sessão conjunta do Congresso, que pode ficar meses sem acontecer, postergando a medida.
“A CPI da Câmara é um engodo. O Rollemberg está fazendo isso para atingir o Ibaneis, mas sabe que não será instalada porque tem uma fila de 15 CPIs, que demanda que sejam instaladas antes”, disse Jordy ao defender que seu pedido de CPMI não precisaria passar por essa espera.
Em nota, Rollemberg disse que “o que existe agora é uma decisão política”. “Depende exclusivamente da vontade política do presidente da Câmara e dos líderes partidários. Não há nenhuma CPI em funcionamento neste momento. Portanto, a CPI do Banco Master pode e deve ser instalada imediatamente.”
Em outra frente de investigação, a CPMI do INSS adiou o depoimento de Daniel Vorcaro após o banqueiro alegar problemas de saúde. Caso ele falte novamente, pode ser alvo de condução coercitiva.
“Foi feito um acordo com os advogados. Eles não vão buscar habeas corpus no Supremo. Daniel Vorcaro está disposto a comparecer, inclusive de forma aberta, trazendo documentação”, disse o presidente da comissão, senador Carlos Vianna (Podemos-MG).
A intenção é que Vorcaro fale sobre empréstimos consignados concedidos pelo Master, mas parlamentares devem aproveitar o depoimento para abordar mais aspectos do caso Master.
Nesta terça-feira (3), o BRB informou ter entregado à Polícia Federal e ao Banco Central um relatório com “achados relevantes” de uma auditoria independente. A PF, por sua vez, abriu um inquérito para apurar suspeitas de gestão fraudulenta no BRB durante a tentativa de compra do Master.
