A Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) iniciou o planejamento militar para uma missão “Arctic Sentry” nesta terça-feira (3) em um contexto de tensões entre os EUA e seus aliados europeus sobre a Groenlândia.
“Estão em curso os preparativos para uma atividade de vigilância reforçada da NATO, denominada Arctic Sentry”, afirmou o Coronel Martin O’Donnell, porta-voz do Quartel-General Supremo das Forças Aliadas na Europa.
As repetidas declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, de que deseja anexar a ilha autônoma, desencadearam uma disputa com a Dinamarca sobre o território ultramarino e geraram tensões com a Otan.
O presidente americano alega que aliados europeus não protegeram adequadamente o território contra a interferência da Rússia e da China.

Após se encontrar com Trump em Davos, em janeiro, o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, disse que discutiram como os aliados poderiam trabalhar coletivamente para garantir a segurança no Ártico, incluindo não apenas a Groenlândia, mas também as sete nações da aliança com territórios no Ártico.
O ministro da Defesa dinamarquês, Troels Lund Poulsen, disse que o planejamento militar para a missão na ilha autônoma é gratificante.
“É crucial que trabalhemos em conjunto com nossos aliados da OTAN para aumentar a segurança no Ártico e no Atlântico Norte”, disse ele na plataforma de mídia social X.
Não ficou imediatamente claro se os ministros da Defesa da aliança discutirão o assunto em sua reunião de 12 de fevereiro em Bruxelas.
Segundo as regras da aliança, o Comandante Supremo Aliado da OTAN na Europa, General americano Alexus Grynkewich, tem autoridade para planejar e executar “atividades de vigilância reforçada” sem precisar de aprovação unânime dos aliados.
Entenda a crise na Groenlândia
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reforçou as ameaças sobre anexar a Groenlândia, uma ilha ártica semiautônoma controlada pela Dinamarca.
Ele argumenta que o território é fundamental para a estratégia militar americana, já que fica na rota mais curta da Europa para a América do Norte, o que a tornaria vital para um sistema de alerta de mísseis balísticos dos EUA.
Os Estados Unidos querem instalar radares na ilha para monitorar as águas entre a Groenlândia, a Islândia e o Reino Unido, utilizadas por navios da marinha russa e submarinos nucleares.
Mas as ameaças do líder americano têm afetado diretamente a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), aliança militar entre países que tanto os EUA quanto a Dinamarca fazem parte.
“Se os EUA optarem por atacar militarmente outro país da Otan, então tudo para, incluindo a própria aliança militar e, consequentemente, a segurança que foi estabelecida desde o fim da Segunda Guerra Mundial”, disse a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen.
Enquanto Trump não descarta o uso de força para conquistar a Groenlândia, alguns países europeus enviaram um pequeno número de militares para a ilha para participar de exercícios conjuntos com a Dinamarca.
