Ações de empresas com terras raras no Brasil disparam após anúncio de Trump

As ações de empresas com projetos de terras raras no Brasil dispararam e registraram altas de até 12% no fechamento do mercado da última terça-feira (3), um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a criação de uma reserva estratégica de minerais críticos.

Batizada de “Projeto Vault”, a iniciativa prevê a criação de uma reserva de minerais críticos financiada com US$ 10 bilhões do EXIM Bank (Export-Import Bank of the United States), braço financeiro do governo dos EUA voltado ao apoio a exportações americanas e projetos considerados estratégicos no exterior.

Outros US$ 2 bilhões devem vir da iniciativa privada.

Entre os destaques do mercado, a mineradora canadense Aclara Resources foi a que registrou a maior valorização, encerrando o pregão com alta de 12%.

Como noticiado pela CNN Brasil, a empresa mantém proximidade com o governo dos Estados Unidos e, em janeiro, assinou um acordo de pesquisa e desenvolvimento com um laboratório nacional do Departamento de Energia americano para aplicar inteligência artificial no processo de separação de terras raras pesadas.

A empresa canadense é dona do Projeto Carina, localizado em Nova Roma (GO).

O projeto da empresa no Brasil já conta com financiamento do governo americano, por meio da U.S. International Development Finance Corporation, a agência de fomento dos Estados Unidos responsável por apoiar investimentos estratégicos em países em desenvolvimento.

O empreendimento é rico em terras raras e segue o modelo de argilas de adsorção iônica, no qual os elementos não estão presos em rochas duras, mas adsorvidos em argila, um tipo de depósito raro fora da China.

Esse tipo de empreendimento apresenta menor risco ambiental e menor custo operacional justamente por causa do modelo geológico.

Ele permite a extração por meio de processos mais simples e menos intensivos.

Em abril de 2025, a Aclara inaugurou uma planta piloto de terras raras pesadas em Aparecida de Goiânia.

Viridis Mining and Minerals

A australiana Viridis Mining and Minerals encerrou o pregão com valorização de 6,6%.

A companhia é dona do Projeto Colossus, que abriga reservas de argilas iônicas ricas em neodímio, praseodímio, térbio e disprósio, localizado no sul de Minas Gerais.

O projeto já recebeu cartas de intenção de financiamento dos governos da França e do Canadá. Em 2025, a empresa obteve a licença prévia ambiental, permitindo o avanço do empreendimento.

A Viridis também anunciou a construção de um centro de pesquisa e processamento de terras raras em Poços de Caldas (MG), sem uso de tecnologia, componentes ou equipamentos chineses.

A estratégia da empresa é se consolidar como fornecedora desses insumos para países ocidentais, especialmente os Estados Unidos, em um contexto de reorganização das cadeias globais de suprimento.

A planta, com capacidade para processar 100 quilos por hora de minério bruto, funcionará como uma unidade de demonstração, voltada à validação de parâmetros técnicos, à otimização operacional e à preparação comercial do desenvolvimento das terras raras da empresa.

St George Mining

A também australiana teve um dia igualmente positivo, com alta de 5,38%. A mineradora é dona do Projeto Araxá, que concentra uma das maiores reservas de terras raras e nióbio da América do Sul, com aproximadamente 40 milhões de toneladas de minério de alto teor.

Em setembro de 2025, a mineradora confirmou uma nova descoberta de terras raras de alto teor e nióbio no projeto, adquirido em fevereiro de 2025. Após o anúncio, as ações da empresa chegaram a subir 23,1% em apenas 24 horas.

Ainda em 2025, a St George anunciou que pretende construir no Brasil um centro tecnológico, com uma planta-piloto dedicada ao processamento de nióbio e terras raras.

Representantes da mineradora também se reuniram, no ano passado, com integrantes do governo dos Estados Unidos para discutir possíveis acordos de fornecimento.

Previsto para entrar em operação até 2027, o projeto está localizado ao lado das instalações da CBMM (Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração), maior produtora mundial de nióbio, responsável por cerca de 80% da oferta global.

A St George aposta que o posicionamento estratégico, o baixo custo de extração e a infraestrutura já existente na região garantirão alta rentabilidade e retorno acelerado do investimento.

Meteoric Resources

A australiana Meteoric Resources, que também teve sua licença prévia concedida em 2025, registrou ganhos de 4,88% em suas ações.

A empresa é dona do Projeto Caldeira, um dos maiores e mais avançados projetos de terras raras em argilas de adsorção iônica do mundo, localizado no Complexo Alcalino de Poços de Caldas.

O empreendimento conta com carta de interesse de financiamento do EXIM Bank, do governo dos EUA. O banco emitiu uma carta de interesse de até US$ 250 milhões para financiar parte do desenvolvimento do projeto.

73% das exportações do Brasil para UE estão concentradas em 5 destinos

SUS oferece vacina contra bronquiolite para bebês prematuros

A partir deste mês, bebês prematuros e com comorbidades poderão receber vacina contra bronquiolite no Sistema Único de Saúde (SUS). O medicamento oferecido é...

Novos pedidos de CNH quadruplicam em janeiro, mostra Senatran

O número de novos pedidos de Carteira Nacional de Habilitação passou de 369,2 mil, em janeiro de 2025, para 1,7 milhão em janeiro de...

Colisão de bote com barco da guarda costeira mata 15 migrantes na Grécia

Pelo menos 15 migrantes morreram no Mar Egeu, perto da Grécia, na terça-feira (3), após a embarcação em que viajavam colidir com um navio...