O STJ (Superior Tribunal de Justiça) decidiu, por unanimidade, afastar o ministro Marco Buzzi após denúncias de importunação sexual. A decisão foi tomada durante sessão extraordinária realizada na manhã desta terça-feira (10) e demonstra a seriedade com que o tribunal está tratando o caso. A analista de Política da CNN Isabel Mega avalia que a decisão foi acertada diante da gravidade das acusações.
“Foi a melhor alternativa do plenário do Superior Tribunal de Justiça, independentemente da inocência ou não do ministro Buzzi. Se você tem uma nova denúncia, isso é mais grave ainda”, afirmou Mega.
O caso que originou o afastamento envolve uma jovem de 18 anos que teria sido importunada pelo ministro em uma praia. A analista da CNN destacou que é comum, em casos de importunação sexual ou estupro, que novas denúncias apareçam na sequência. “É possível que tenhamos novas denúncias”, observou.
Sindicância em andamento
O STJ estabeleceu o prazo de um mês para a conclusão da sindicância, com previsão de resultado até 10 de março. Durante este período, o ministro Marco Buzzi permanecerá afastado de suas funções. A decisão unânime pelo afastamento do magistrado demonstra a gravidade com que o caso está sendo tratado pelos demais ministros do tribunal.
Mega ressaltou que já existem outros casos sendo investigados no âmbito do CNJ (Conselho Nacional de Justiça), o que levanta a hipótese de um comportamento padrão do ministro em relação a mulheres. “Isso precisa ser investigado. O relato dessas mulheres precisa ser validado como forte o suficiente para originar algum tipo de investigação”, afirmou a analista.
A analista política também destacou a importância de se dar a devida atenção a casos de importunação sexual, especialmente quando envolvem pessoas em posições de poder. “Quando a gente fala de magistrados, a gente está falando de pessoas que chegaram até essas funções de holofotes públicos como pessoas que têm a reputação ilibada. É isso que se espera. Não dá para o Poder Público blindar ou embaçar essas investigações”, afirmou.
Segundo a analista, o afastamento do ministro também serve como um recado importante sobre como casos de importunação sexual devem ser tratados. “Quando o STJ afasta o magistrado e afasta por unanimidade, está dando um recado de que está tendo o devido olhar de gravidade de uma situação como essa”, concluiu.
