Com a redução da jornada de trabalho semanal, o setor imobiliário de São Paulo prevê alta dos preços. Para lidar com o aumento do custo de vida, a Secovi-SP avalia que os trabalhadores terão que fazer renda extra em seu tempo livre.
A proposta do fim da escala 6×1 em tramitação no Congresso Nacional estabelece a redução da carga horária máxima semanal de 44 horas para 36 horas. Nos bastidores, também se discute a possibilidade do limite ser reduzido para 40 horas por semana.
“A classe trabalhadora poderá se encantar com a possibilidade de três dias de descanso semanais. Mas, a inevitável elevação do custo de vida obrigará muitos a fazer ‘bicos’”, diz a Secovi-SP.
Segundo a entidade, a redução da jornada e manutenção do salário aumentam o valor pago por hora. O reajuste, por sua vez, seria repassado aos preços de produtos e serviços, já que os setores econômicos de produção, comércio e serviços não terão como absorver a contratação de mais mão de obra sem repassar os custos para os consumidores.
Outro efeito previsto pela Secovi-SP é o aumento da informalidade em um contexto de pleno emprego. Na avaliação da entidade, as empresas irão ampliar a automatização em seus processos, substituindo a mão de obra humana.
“Empreiteiros e seus contratados terão de cruzar os braços por 3 dias, aumentando o tempo
da obra. Fornecedores não poderão fazer entregas. Operação e logística serão comprometidas. O prazo e o custo final vão aumentar, e a conta, mais uma vez, será paga pelo consumidor”, afirma a Secovi-SP.
Para a entidade, a mudança da jornada de trabalho merece ampla discussão com a sociedade brasileira, mas não é assunto emergencial. De acordo com a Secovi-SP, o debate precisa de mais estudos técnicos, considerando as especificidades de cada atividade, seguidos de diálogo com a sociedade.
