Um recurso do Ministério Público Federal (MPF), capitaneado pelo procurador Lucas Costa Almeida Dias, joga luz sobre um problema que o Acre conhece bem, mas que as instituições públicas ainda tratam como “crise passageira”: a rota migratória na fronteira com o Peru.
Ao recorrer ao TRF-1, o MPF tenta transformar o que hoje é um “atendimento de improviso” em uma política de Estado permanente.
📍 O “Efeito Funil” na Fronteira
Cidades como Assis Brasil, Brasileia e Epitaciolândia possuem infraestruturas limitadas. Quando o fluxo migratório aumenta (seja por crises políticas no Peru, Chile ou em países de origem como Venezuela e Haiti), esses municípios entram em colapso. O MPF argumenta que o Judiciário não pode ignorar que essa sobrecarga é previsível e cíclica.
🔍 Os Argumentos Centrais do MPF
O procurador Lucas Costa destaca que a rejeição inicial da ação ignorou dois pontos cruciais:
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Vulnerabilidade Extrema: Não se trata apenas de “viajantes”, mas de grupos compostos por crianças, idosos e mulheres em situação de miséria, sem o básico para a dignidade humana.
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Inércia dos Entes Públicos: A União, o Estado e as Prefeituras tendem a empurrar a responsabilidade uns para os outros. O recurso busca obrigar uma atuação coordenada.
📋 O que o MPF quer “na prática”?
A ação não pede apenas “boas intenções”, mas medidas estruturais:
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Ampliação de Abrigos: Vagas fixas e dignas em Rio Branco e na fronteira.
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Alimentação Culturalmente Compatível: Respeitar as necessidades nutricionais e culturais dos migrantes.
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Equipes em Campo: Presença constante de técnicos de saúde e assistência social, e não apenas quando a crise “explode” na mídia.
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Plano de Contingência: Um manual de ação pronto para quando ocorrerem entradas massivas de pessoas.
⚖️ O que acontece agora?
O caso subiu para o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), em Brasília. Se os desembargadores aceitarem o recurso:
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As liminares podem obrigar o governo federal a liberar recursos imediatos para o Acre.
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Pode haver o bloqueio de verbas ou imposição de multas caso os abrigos e fluxos de atendimento não sejam organizados.
Nota de contexto: O procurador Lucas Costa Almeida Dias é conhecido no Acre por sua atuação firme em direitos humanos e causas indígenas. Sua insistência neste caso mostra que o MPF não aceitará a tese de que o acolhimento deve ser apenas reativo.
