Lucas Pinheiro Braathen se aproximou da sonhada medalha de ouro ao superar os adversários na primeira descida do slalom gigante masculino neste sábado (14), abrindo uma grande vantagem.
Nenhum atleta representando um país sul-americano jamais ganhou uma medalha olímpica de inverno em qualquer esporte, mas Braathen, nascido na Noruega, está prestes a acabar com isso depois de marcar o melhor tempo por 0,95 segundos.
Primeiro entre os 81 competidores, o jovem de 25 anos fez uma corrida tranquila e sem erros pelos 52 portões, e ninguém chegou nem perto de igualá-lo na pista nublada de Stelvio, que estava mais macia devido às condições climáticas amenas.
Apenas o suíço Marco Odermatt, um dos grandes nomes do esporte, ficou a menos de um segundo e meio do tempo de 1m13s92 de Braathen. O atual campeão olímpico deixou suas chances de ouro por um fio antes da segunda descida.
Odermatt era cotado para várias medalhas de ouro nos Jogos de Milão-Cortina, mas não conseguiu chegar ao pódio no downhill, antes de conquistar uma prata no combinado por equipes e um bronze no super-G .
Braathen, que competiu pela Noruega nos Jogos de Pequim, mas mudou sua lealdade para o país natal de sua mãe em 2024, carregou a bandeira brasileira na cerimônia de abertura vestindo uma roupa chamativa que, segundo ele, evocava o espírito de um super-herói.
Uma personalidade vibrante fora das pistas, com linhas de moda e participações como DJ, ele considera a pista de corrida seu palco e, neste sábado, dançou ao som de uma música diferente da de seus rivais, abrindo uma grande vantagem sobre a elite mundial.
“Estou apenas tentando estar aqui e acalmar meu sistema nervoso. A segunda descida acontecerá e estarei pronto”, disse ele, com aparência relaxada, na área de chegada.
“Estou tentando criar ainda mais espaço para movimentos ainda melhores e mais dança na segunda apresentação.”
Voando brasileiro
O suíço Loic Meillard foi o terceiro mais rápido, a uma distância considerável de 1,57 segundos, enquanto apenas outros três atletas ficaram a menos de dois segundos do brasileiro, que nesta temporada se tornou o primeiro esquiador representando o país a vencer uma prova da Copa do Mundo.
O campeão mundial de slalom gigante, Raphael Haaser, da Áustria, terminou 3,54 segundos mais lento. Outro favorito, o norueguês Henrik Kristoffersen, que estava 1,93 segundos atrás, em sexto lugar, descreveu as diferenças como “cômicas”.
“Acho que o número um (Lucas Pinheiro) definitivamente não foi uma desvantagem, provavelmente. Mas não deveria haver tanta diferença entre o primeiro, segundo, terceiro, quarto e quinto lugares”, disse ele.
Lucas, atualmente em segundo lugar na classificação da Copa do Mundo, atrás de Odermatt, já tem uma mão na medalha de ouro histórica após sua estreia impressionante.
Para contextualizar sua performance, nos Jogos Olímpicos de 2018, no slalom gigante, cinco esquiadores estavam a menos de um segundo do líder da primeira perna, Marcel Hirscher, e em 2022 havia nove esquiadores nessa mesma faixa de Odermatt. Hirscher e Odermatt acabaram vencendo a prova.
