O vazio que grita e o ostracismo no Sinteac: não se governa uma entidade de classe contra a classe, e sem a classe

O esvaziamento de uma assembleia não é apenas um "auditório vazio"; é o silêncio eloquente de uma categoria que deixou de se enxergar na própria representação.

A assembleia geral do SINTEAC realizada nesta quinta-feira, em Rio Branco, não foi apenas um fracasso de quórum, como mostra a foto de David Medeiros; foi a certidão de óbito simbólica de uma gestão que se sustenta apenas por liminares e formalidades, mas que já perdeu o coração da categoria. As cadeiras vazias no auditório são o reflexo direto de uma diretoria que se recusa a ler os sinais dos tempos e as sentenças dos tribunais.

O Custo da Insegurança Jurídica

A crise de legitimidade que assola o sindicato não nasceu ontem. Ela é fruto de um processo eleitoral marcado por graves denúncias de fraude, culminando na decisão da Justiça do Trabalho que não reconheceu a reeleição de Rosana Nascimento. Quando a Justiça aponta o dedo para irregularidades no pleito, o elo de confiança entre o trabalhador e o sindicato se rompe.

O resultado é uma categoria atônica. O professor e o funcionário de escola, que deveriam ter no SINTEAC sua trincheira de luta, hoje olham para a entidade com desconfiança e apatia.

A Representatividade em Xeque

O esvaziamento da assembleia é o sintoma mais agudo da perda de representatividade. Um sindicato que não mobiliza é um sindicato que não intimida o poder público nem protege o trabalhador. Sob a gestão atual, o SINTEAC parece ter se transformado em um castelo de cartas, isolado da base e focado em uma sobrevivência jurídica que ignora o anseio por renovação.

“A força de um sindicato não reside no seu CNPJ ou no seu patrimônio, mas na capacidade de convocar o povo para a luta. Quando o povo não comparece, a liderança já não lidera ninguém.”

O Horizonte da Mudança

Aguardar a data para a nova eleição não é apenas uma formalidade burocrática, mas uma necessidade de sobrevivência para a educação acreana. A categoria precisa de uma diretoria que não entre pelas portas do fundo da legalidade, mas que seja ungida pelo voto transparente e pela vontade soberana da base.

Enquanto a nova eleição não vem, o SINTEAC amarga o isolamento. O fracasso desta quinta-feira serve como um aviso final: não se governa uma entidade de classe contra a classe. O ciclo atual se encerra não apenas nos tribunais, mas na ausência sentida de cada trabalhador que preferiu o distanciamento ao endosso de uma gestão sob suspeita.