De um lado, a mulher que quebrou recordes históricos de votação; do outro, o senador que dominou as chaves do Orçamento da União. O que antes era um cenário de faíscas e distanciamento entre Mara Rocha e Márcio Bittar, agora se desenha como possível aliança pragmática para consolidar a hegemonia conservadora no estado. O tabuleiro político acreano para 2026 começa a ganhar contornos pós Carnaval.
Mara Rocha traz consigo o recall eleitoral e a conexão direta com o produtor rural e as bases conservadoras que a transformaram na deputada federal mais votada da história do Acre. Sua imagem de “combatente” é o combustível ideal para a militância.
Márcio Bittar, por sua vez, entra com o músculo político, como se fora estrategista que garante que a chapa tenha viabilidade e suporte estrutural.
🏛️ Desempenho e Produção Legislativa
Ambos construíram carreiras sólidas no Legislativo, mas com estilos e focos distintos:
Mara Rocha: A Voz do Setor Produtivo e da Fiscalização
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A “Campeã de Votos”: Mara carrega o troféu de ter sido a deputada federal mais votada da história do Acre em 2018 (mais de 40 mil votos).
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Produção: Na Câmara, sua atuação foi marcada pela defesa intransigente do agronegócio e do direito à propriedade. Foi titular de comissões estratégicas como a de Agricultura e Integração Nacional.
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Marca Registrada: Ficou conhecida por uma postura combativa e fiscalizadora, muitas vezes batendo de frente com o governo estadual de Gladson Cameli, o que a consolidou como uma figura de oposição interna dentro da base aliada.
Márcio Bittar: O Articulador de Orçamentos
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O Homem do Relato: Como senador, Bittar atingiu o ápice de sua influência ao ser o Relator-Geral do Orçamento da União (2021) e da PEC Emergencial. Tenta sobreviver sob a imagem plantada por ele próprio, a de um “super-articulador” em Brasília que teria canalizado volumes recordes de recursos para o Acre. Há diferenças gritantes, no entanto, entre o real e a ficção.
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Produção: Sua pauta é ideologicamente clara: liberalismo econômico e combate ao que ele chama de “indústria das ONGs”. Foi relator da CPI das ONGs, focando na soberania da Amazônia, mas nada de prático foi produzido sob este conceito.
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Marca Registrada: É visto como um político de “bastidor”. Enquanto Mara fala para a base nas redes e nas ruas, Bittar opera nas engrenagens do poder central. É lobista nato, tal qual Jorge Viana.
⚡ O Histórico de Rixas: Do Atrito à Aliança
A relação entre os dois nem sempre foi de “chapa branca”. O ponto de maior tensão ocorreu no ciclo entre 2020 e 2022:
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A Disputa por Espaço na Direita: Durante o governo Bolsonaro, ambos competiam pelo protagonismo do bolsonarismo no Acre. Houve momentos de “vácuo” na comunicação, onde um ignorava as entregas do outro para tentar capitalizar individualmente o apoio do ex-presidente.
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O Racha do Grupo Rocha: Mara e seu irmão, o ex-vice-governador Major Rocha, tiveram divergências públicas com Bittar sobre a condução das alianças para a sucessão estadual. Em 2022, Mara saiu para o Governo pelo MDB, enquanto Bittar focava em candidaturas próprias e na sua influência no União Brasil, fragmentando o bloco que derrotou o PT em 2018.
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Críticas sobre Destinação de Recursos: No passado, Mara chegou a questionar a forma como Bittar centralizava as decisões sobre as emendas de relator, sugerindo uma distribuição menos técnica e mais política.
📈 Capital Político para 2026
A possível chapa para o Senado em 2026 — que pode contar com o apoio de Alan Rick (pré-candidato ao Governo pelo Republicanos) — une dois públicos complementares:
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Mara Rocha traz o carisma e a votação orgânica do eleitorado que valoriza a postura firme e a identidade conservadora “raiz”.
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Márcio Bittar entra com o trânsito livre no PL em Brasília, sendo o nome que garante a viabilidade financeira e política da chapa.
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Atributo Mara Rocha Márcio Bittar Ponto Forte Popularidade e Voto de Opinião Articulação e Orçamento Base Eleitoral Produtores rurais e Direita conservadora Prefeitos e setor de infraestrutura Desafio Reconstruir pontes após derrotas recentes Superar a imagem de “político de gabinete”