No Acre não existe política inocente. Existe cálculo. E o que está acontecendo agora é cálculo frio, pesado e eleitoral.
O Partido Liberal começa a se aproximar do governo e, de repente, Márcio Bittar aparece no radar da base governista. Coincidência? Não. Tentativa de se salvar.
Enquanto a vice-governadora Mailza Assis diz que não há definição oficial, Bittar já está fazendo o que sabe fazer: mexer as peças sem anunciar o xeque para derrubar alguém.
Ele já disse que não iria com Mailza. Disse publicamente. Agora o discurso muda de tom. Quando o poder chama, convicção vira detalhe.
E o alvo é claro. Eduardo Velloso.
Velloso tenta se consolidar como nome da chapa governista pelo União Brasil. Trabalha, articula, conversa, se movimenta. Mas enquanto ele constrói por dentro, Bittar trabalha por cima. Direto na estrutura. Direto em quem manda.
Este jornalista recebeu ligações da capital federal. O clima é de operação. Não é para compor. É para ocupar o espaço antes que Velloso consolide.
O roteiro lembra o passado. Basta lembrar quando tentou reorganizar o tabuleiro envolvendo Mara Rocha e o grupo de Alan Rick. Quem conhece sabe como termina quando Bittar entra para reorganizar alianças.
Agora a pergunta é outra. Velloso vai resistir ou vai ser engolido pelo próprio ex-aliado?
E onde entra Antonio Rueda nessa história? Vai manter a palavra e sustentar o União Brasil? Ou vai negociar nos bastidores enquanto o jogo esquenta? E Fábio Rueda, vai pesar para qual lado?
Bittar quer se salvar politicamente. Quer colar em Gladson Cameli, pegar a popularidade, o carisma, os votos e transformar isso em sobrevivência eleitoral. Política é instinto de sobrevivência. E Bittar sabe jogar.
Ele repete que trouxe milhões quando foi relator do orçamento secreto. Repete como slogan. Mas recurso não garante lealdade. E não garante candidatura.
Se Velloso não reagir, pode ficar num beco sem saída. Pressionado pelo PL de um lado, pressionado por decisões nacionais do outro. Pode acabar traído pela articulação de cima enquanto acredita na construção de baixo.
E tem mais. O risco não é só Velloso cair. O risco é Bittar dar uma rasteira até em Mailza se for conveniente. Na política acreana, aliança é até a página dois.
No fim, o que está em jogo não é amizade, nem história, nem discurso. É poder.
A pergunta que o eleitor precisa fazer é simples e direta.
Márcio Bittar está vindo para fortalecer o governo ou para tomar o espaço e esmagar quem estiver na frente?
Porque se o movimento der errado, alguém vai sair menor.
E não será por falta de aviso desse jornalista não foi.