Análise: trocar regime do Irã sem intervenção terrestre é difícil

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Análise: trocar regime do Irã sem intervenção terrestre é difícil

Os ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã neste sábado (28) parecem ter como objetivo principal enfraquecer militarmente o regime iraniano e possivelmente provocar uma mudança interna de governo, segundo análise de especialista.

Alexandre Pires, professor de Relações Internacionais do Ibmec, observou que os alvos escolhidos para os bombardeios indicam uma estratégia específica. “Pelos lugares que foram colocados, parece que a questão nuclear é secundária. O ataque inicial realmente focou nas lideranças e centros de poder, e o ataque em Teerã parece ser para provocar algum tipo de reação popular quando os ataques pararem”, explicou.

De acordo com o especialista, os ataques atuais parecem ter caráter mais provocativo. “Esses ataques são mais para revelar posições estratégicas do Irã. Ou seja, os ataques não têm um objetivo tão claro, ainda que possa haver um objetivo indireto de um assassinato de lideranças, mas eles revelam posições porque sabiam que o Irã iria retaliar”, afirmou.

Capacidade militar e resposta iraniana

Pires destacou que o Irã possui avanços em termos de mísseis e armamento convencional, com capacidade de destruição, embora seus mísseis tenham alcance médio. “Já há notícias que alguns mísseis conseguiram furar as defesas israelenses com os Patriots e os Tadis. Então, eles estão já usando um armamento muito mais capaz do que aqueles que gastaram no conflito com Israel no ano passado”, observou.

Questionado sobre a possibilidade de uma troca de regime no Irã sem intervenção terrestre, o professor foi categórico: “É realmente muito difícil uma força externa conseguir depor e trocar um regime sem que tenha a ação terrestre”. Ele lembrou que Donald Trump não deseja fazer incursões terrestres ou ocupações militares como aconteceu no Iraque e no Afeganistão.

Interesses econômicos em jogo

O especialista também chamou atenção para os interesses econômicos por trás do conflito, destacando que o Irã possui a terceira maior reserva de petróleo do mundo. “O Irã é a terceira maior reserva do mundo. As duas primeiras são Venezuela e Arábia Saudita, que já estão sob influência americana”, explicou.

Pires apontou ainda que a China já tomou controle do Afeganistão, que é uma ponte terrestre com o Irã, e havia conversas para criar um oleoduto entre Irã e China. “Os Estados Unidos também estão numa corrida para evitar que a China tenha acesso à energia barata”, concluiu, indicando que o conflito tem ramificações geopolíticas e econômicas significativas que vão além das questões militares e políticas imediatas.

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