Entre as peças que compõem o caso do Banco Master, liquidado pelo BC (Banco Central), estão fundos de investimento e até um resort que teve ligação com o ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), e seus familiares.
O Tayayá Resort estaria envolvido numa transação que passa pelo cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, Fabiano Zettel, e irmãos de Dias Toffoli.
O resort já teve vínculos diretos com a família do ministro, mas em abril de 2025, foi adquirido pelo advogado Paulo Humberto Barbosa.
A compra das ações do resort que pertenciam à família Toffoli foi estruturada por meio de fundo de investimento administrado pela financeira Reag, instituição citada na operação Carbono Oculto por suspeita de ligação com um esquema de lavagem de dinheiro para o PCC, que é investigada no contexto do escândalo do Banco Master.
A transação, entretanto, ganhou os holofotes recentemente, diante de questionamentos em torno da atuação do ministro no caso Master.
O fundo de investimento gerido pela empresa citada no caso Master realizou um aporte de R$ 4,3 milhões para comprar ações do Tayayá Resort.
Segundo o relatório encaminhado pelo Banco Central ao TCU, entre julho de 2023 e julho de 2024, o Banco Master e fundos administrados pela Reag estruturaram operações em desacordo com normas do Sistema Financeiro Nacional, com falhas graves de gestão de risco, crédito e liquidez.
Essas operações fazem parte de um conjunto de transações estruturadas que somam R$ 11,5 bilhões, incluindo fundos ligados à Reag.
Dados da Receita Federal apontam que o resort já teve no quadro de sócios a Maridt Participações S.A, que pertence a Igor Luiz Pires Toffoli e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos de Toffoli. O ministro também admitiu ser sócio do fundo, embora seu nome não aparece no quadro societário declarado à Junta Comercial do Estado de São Paulo.
Arleen e Maridt
O investimento para a compra de uma parte do Tayayá Resort foi realizado pela Arleen Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, segundo registros da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) de outubro de 2025.
A CNN Brasil confirmou que Fabiano Zettel é o único cotista de um fundo que investiu aproximadamente R$ 20 milhões no fundo Arleen. Este, por sua vez, adquiriu participação na Tayayá Administração e Investimento, empresa proprietária do resort localizado no interior do Paraná.
A Arleen é administrada pela Reag, citada na operação Carbono Oculto, e teria investido R$ 16,3 milhões na DGEP Empreendimentos, que também já teve no quadro societário Mario Umberto Degani, primo de Toffoli.
O fundo de investimento realizou um aporte milionário para comprar ações do Tayayá Resort, fatia que anteriormente pertencia à Maridt Participações S.A, a qual tem Dias Toffoli como parte do quadro societário.
Ou seja: a Maridt vendeu participação no Resort Tayayá ao Fundo Arleen, administrado pela Reag e ligado à teia empresarial do Banco Master.
O ministro Dias Toffoli assumiu ser sócio da Maridt, mas negou qualquer relação com Vorcaro.
O ministro ainda alegou que a Maridt deixou completamente o grupo Tayaya Ribeirão Claro em fevereiro de 2025 e que a venda de cotas ao Fundo Arleen foi efetivada em 2021, anos antes da ação referente à compra do Banco Master pelo BRB ser distribuída a ele na Suprema Corte.
Procurada em meados de janeiro, a Reag disse que não vai comentar o caso. Na ocasião, a CNN também entrou em contato com o gabinete do ministro Dias Toffoli, com o Tayayá Resort, com a DGEP e com os demais citados na reportagem.
Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro, dono do Master, negou qualquer envolvimento com fraudes, fundos ilícitos ou operações. Afirma que o banco nunca foi gestor, administrador ou cotista dos fundos citados e diz confiar que o avanço das investigações restabelecerá a verdade dos fatos.
Inclusive, a CPI (comissão parlamentar de inquérito) do Crime Organizado aprovou, na terça-feira (18), a quebra dos sigilos de fundo que comprou ações do Tayayá Resort.
Nesta quinta-feira, o ministro Gilmar Mendes, do STF, anulou a aprovação de requerimento que quebrava os sigilos fiscal e bancário de empresa.