O “leilão” do PSDB: Bocalom “oferece” Antônia Lúcia e Zé Adriano, mas deputados rejeitam; Aécio quer Roberto Duarte, que também diz não

A disputa pelo comando e pelos rumos do PSDB no Acre ganhou contornos de um verdadeiro “leilão político” nos bastidores de Brasília, envolvendo articulações de alto nível, recusas estratégicas e uma corrida contra o tempo para definição de alianças.

O prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, protagonizou um dos movimentos mais ousados ao tentar garantir abrigo na sigla tucana. Segundo apurado, Bocalom teria oferecido ao partido os deputados federais Antônia Lúcia e José Adriano como forma de fortalecer a bancada da legenda no Congresso Nacional e, assim, convencer o presidente nacional do partido, Aécio Neves, a lhe garantir filiação e espaço político.

A estratégia, no entanto, encontrou resistência imediata. Tanto Antônia Lúcia quanto José Adriano negaram qualquer possibilidade de romper com a base do governador Gladson Cameli e se filiar noutra legenda, frustrando a principal moeda de troca apresentada por Bocalom.

Enquanto isso, o deputado estadual Pedro Longo cumpre agenda em Brasília tentando viabilizar uma alternativa dentro da federação partidária,  pro´-Bocalom, em uma articulação considerada por aliados como “quase impossível”, diante do impasse instalado.

Do outro lado da disputa, o senador Alan Rick, pré-candidato ao governo pelo Republicanos, entrou de vez na corrida e conseguiu avançar ao garantir o apoio do Cidadania, legenda que integra a federação com o PSDB. Esse movimento ampliou sua vantagem no tabuleiro, especialmente porque a federação tucana no estado depende diretamente das decisões do Cidadania, que tem pendências em suas contas apresentadas à Justiça Eleitoral. .

Nos bastidores, o presidente estadual do Cidadania, Alexandre Freitas, foi categórico: mantém apoio a Alan Rick e descartou qualquer composição com Bocalom. Além disso, pesa sobre o partido uma pendência judicial antiga que ainda precisa ser resolvida — fator que pode, inclusive, impedir o PSDB de lançar candidatura própria no Acre.

Em meio às negociações, Aécio Neves também tentou impor a filiação do deputado federal Roberto Duarte, presidente do Republicanos no Acre, como parte do arranjo político. Duarte, no entanto, recusou a mudança de partido, aumentando a dificuldade de construção de uma chapa competitiva sob o guarda-chuva tucano.

Sem consenso, a decisão sobre o posicionamento do PSDB no Acre já foi adiada duas vezes e deve ser finalmente anunciada até o fim do dia. O desfecho promete redefinir o cenário político local e consolidar quem, de fato, venceu esse disputado “leilão” por apoio e protagonismo.