Quatro policiais militares da tropa de elite da Polícia Militar do Rio foram afastados, nesta quinta-feira (19), após a execução de um morador dentro de casa, durante operação no Morro dos Prazeres, região central da cidade.
Segundo a Secretaria de Estado de Polícia Militar, os policiais do BOPE foram “retirados do serviço operacional e incluídos em atividades administrativas, não realizando policiamento nas ruas, até o final das apurações do caso.”
Ainda de acordo com a PM, a medida foi tomada após análise preliminar das ações realizadas durante a operação do último dia (18/03), no Morro dos Prazeres, quando “foram identificadas atividades relacionadas ao mau uso das câmeras operacionais portáteis, de uso individual, por parte dos policiais.”
Além da Polícia Civil que investiga o caso, a Corregedoria da Polícia Militar também investiga a conduta dos agentes.
Durante a ação, oito pessoas morreram. Seis delas, estavam dentro de uma casa. A Polícia Militar informou que durante uma fuga, criminosos invadiram essa casa e fizeram um casal reféns. Que os PMs tentaram negociar com os criminosos, mas eles atiraram e os policias revidaram.
O morador, identificado com Leandro Silva Sousa, foi baleado e morreu. O secretário de Polícia Militar, Coronel Menezes, afirmou que ele foi morto pelos bandidos.
“A gente lamenta a morte do morador Leandro, eles sequestraram essa família, o BOPE teve que atuar, tentou estabelecer uma negociação e eles maneira covarde atiraram contra os policiais, vitimando também o morador em questão”, disse que o coronel.
No entanto, a esposa do morador, que estava dentro da casa no momento dos tiros, negou a versão da PM e afirmou que os tiros foram disparados pelos policiais do BOPE.
“Ele gritava, aqui tem morador, aqui tem trabalhador, e o tiro veio e pegou na cabeça dele” afirma a esposa do Leandro.
“Até os bandidos gritavam: aqui tem morador. Os bandidos estavam dentro de casa. Eles [o Bope] entraram atirando e matando meu marido como se ele fosse bandido”, concluído a mulher do morador morto.
Ministério Público realizou perícia na casa
No dia seguinte a operação, promotores e peritos do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) estiveram na casa onde ocorreram as mortes e fez uma perícia. O MPRJ também acompanhou as necropsias dos corpos no IML da capital fluminense.
Segundo o Ministério Público, imagens das câmeras corporais dos policiais envolvidos e outras informações sobre os resultados da operação foram requisitadas para a polícia.