Brasileiros apoiam energia limpa, mas resistem pagar mais na conta de luz

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Brasileiros apoiam energia limpa, mas resistem pagar mais na conta de luz

A maioria dos brasileiros considera importante ampliar o uso de fontes de energia limpa no país, mas não está disposta a pagar mais caro na conta de luz para viabilizar essa transição, segundo pesquisa Ipsos-Ipec. Foram ouvidas 2.000 pessoas, em 129 municípios brasileiros, entre os dias 5 e 9 de fevereiro de 2026.

O levantamento mostra que 93% dos entrevistados consideram importante ou muito importante que a eletricidade no Brasil seja gerada a partir de fontes renováveis, como solar e eólica. Apesar disso, 78% dizem estar pouco ou nada dispostos a pagar mais caro pela energia para garantir essa mudança, enquanto 19% afirmam que aceitariam um aumento na conta.

A pesquisa também aponta uma percepção negativa sobre o custo do serviço atual prestado. Para 71% dos entrevistados, o valor mensal da conta de luz é considerado alto (35%) ou muito alto (36%) em relação à qualidade do fornecimento de energia elétrica.

Entre os fatores que influenciam essa avaliação está a instabilidade no fornecimento. Cerca de 73% dos entrevistados disseram ter enfrentado ao menos uma queda de energia nos três meses anteriores à pesquisa – sendo que 13% vivenciaram tal situação 1 vez, 30% de 2 a 3 vezes, 15% entre 4 e 5 vezes e outros 15% relatam falta de luz 6 vezes ou mais no período.

 

Desigualdade marca qualidade do serviço

Moradores das regiões metropolitanas (periferia) são os que mais sofrem: 85% relatam quedas de luz nos últimos três meses, contra 78% entre os moradores das capitais e 70% do interior. Ainda, os brasileiros com menor renda familiar – até 1 salário mínimo – são os que mais sofreram com a queda de luz no período (80%).

Além disso, a espera por atendimento é longa para a maioria. Para 53% dos afetados, o serviço tende a demorar mais de uma hora para ser restabelecido, com 29% aguardando entre mais de 1 até 3 horas, 14% entre mais de 3 até 5 horas e 10% chegando a ficar mais de 5 horas sem energia. Para 40%, a espera é de até 1 hora.

O apoio mais forte à energia limpa aparece entre pessoas com maior renda. Entre entrevistados com renda familiar acima de cinco salários mínimos, 71% consideram a geração de energia limpa muito importante, índice que cai para 45% entre aqueles com renda de até um salário mínimo.

Regionalmente, o Sudeste concentra os maiores níveis de valorização das fontes renováveis: 65% dos moradores da região dizem considerar a energia limpa muito importante, percentual acima do registrado no Sul e no Nordeste.

Para Márcia Cavallari, diretora da Ipsos-Ipec, os resultados reforçam que a transição energética inevitavelmente esbarra em fatores concretos do dia a dia dos consumidores: “A má qualidade do fornecimento é um freio importante no apoio ao aumento das tarifas, mas isso também se soma ao orçamento apertado das famílias e à busca por informação de como esse dinheiro vai ser utilizado”.

A amostra da pesquisa foi elaborada com base em dados do Censo 2022 e PNADC 2024, com controle de cotas pelas variáveis sexo, idade, escolaridade, raça/cor e ramo de atividade. O nível de confiança é de 95%, e a margem de erro máxima estimada para o total da amostra é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.