Os Estados Unidos, o Irã e um grupo de mediadores regionais estão discutindo os termos de um possível cessar-fogo de 45 dias que poderia levar ao fim permanente da guerra, informou o jornal Axios na noite de domingo (5), citando quatro fontes americanas, israelenses e de governos da região familiarizados com as negociações.
Os mediadores estão discutindo os termos de um acordo em duas fases, segundo o relatório, que acrescenta que a primeira fase seria um possível cessar-fogo de 45 dias, durante o qual seria negociado um fim permanente à guerra.
A segunda fase seria um acordo para pôr fim à guerra, segundo o documento.
De acordo com o relatório, o cessar-fogo poderá ser prorrogado caso seja necessário mais tempo para as negociações.
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse ao Wall Street Journal no domingo que seu prazo para o Irã abrir o Estreito de Ormuz ou enfrentar ataques à infraestrutura crítica é a noite de terça-feira (7).
O que está acontecendo no Oriente Médio?
Os Estados Unidos e Israel estão em guerra com o Irã. O conflito teve início no dia 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado entre os dois países matou o líder supremo do país, Ali Khamenei, em Teerã.
Diversas autoridades do alto escalão do regime iraniano também foram mortas. Além disso, os EUA alegam ter destruído dezenas de navios do país, assim como sistemas de defesa aérea, aviões e outros alvos militares.
Em retaliação, o regime dos aiatolás fez ataques contra diversos países da região, como Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Iraque e Omã. As autoridades iranianas dizem que têm como alvo apenas interesses dos Estados Unidos e Israel nessas nações.
Mais de 1.750 civis morreram no Irã desde o início da guerra, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, que tem sede nos EUA. A Casa Branca, por sua vez, registrou ao menos 13 mortes de soldados americanos em relação direta aos ataques iranianos.
O conflito também se expandiu para o Líbano. O Hezbollah, um grupo armado apoiado pelo Irã, atacou o território israelense em retaliação à morte de Ali Khamenei. Com isso, Israel tem realizado ofensivas aéreas contra o que diz ser alvo do Hezbollah no país vizinho. Centenas de pessoas morreram no território libanês desde então.
Com a morte de grande parte de sua liderança, um conselho do Irã elegeu um novo líder supremo: Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei. Especialistas apontam que ele não fará mudanças estruturais e representa continuidade da repressão.
Donald Trump mostrou descontentamento com essa escolha, a classificando como um “grande erro”. Ele havia dito que precisaria estar envolvido no processo e pontuou que Mojtaba seria “inaceitável” para a liderança do Irã.