Em um desdobramento que remete ao velho ditado de que “o mundo dá voltas”, a política acreana testemunha um retorno simbólico e irônico. Hildelgard Pascoal (Podemos), filho do ex-coronel da Polícia Militar e ex-deputado federal Hildebrando Pascoal, está prestes a reassumir uma cadeira na Câmara Municipal de Rio Branco.
A movimentação ocorre após a indicação do vereador João Paulo Silva para a Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASD) do Governo do Estado, abrindo caminho para o primeiro suplente do partido.
O que torna o retorno de Hildegard um fato político de contornos dramáticos é a atual configuração partidária. O Podemos, partido pelo qual o filho de Hildebrando milita, é controlado no estado pelo ex-governador Jorge Viana (PT).
Pascoal, no entanto, segue alinhado com a governadora Mailza Assis e tem dito que não aceitaram intromissão em suas convicções políticas.
A ironia histórica é profunda: foi Jorge Viana, durante seu primeiro mandato como governador (1999-2002), quem liderou a ofensiva institucional que resultou na prisão, cassação, julgamento e condenação de Hildebrando, no episódio “Esquadrão da Morte”.
Para observadores políticos locais, a ascensão de Hildelgard sob a “benção” indireta da legenda controlada por Viana representa o pragmatismo da política moderna, onde antigos desafetos e herdeiros de eras sombrias acabam dividindo o mesmo guarda-chuva institucional.
O filho do ex coronel consolida seu próprio espaço na vida pública, e retorna agora em um cenário de pacificação política que teria sido impensável há duas décadas.
A posse deve ocorrer nos próximos dias.