Quem são militares presos pelo Exército após condenação na trama golpista

quem-sao-militares-presos-pelo-exercito-apos-condenacao-na-trama-golpista
Quem são militares presos pelo Exército após condenação na trama golpista

O Exército Brasileiro prendeu, na manhã desta sexta-feira (10), três dos sete militares condenados pelo STF (Supremo Tribunal Federal) no núcleo 4 da trama golpista. A determinação foi do ministro e relator do caso na Corte, Alexandre de Moraes.

Segundo apurou a CNN Brasil, os militares detidos são:

  • Ângelo Denicoli, major da reserva, preso em Vila Velha (ES);
  • Guilherme Marques de Almeida, tenente-coronel, preso em Brasília;
  • e Giancarlo Gomes Rodrigues, subtenente, preso em Brasília.

Conforme a PGR (Procuradoria Geral da República), os militares usaram a estrutura da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) para espionar adversários políticos, criar e espalhar informações falsas contra o processo eleitoral, instituições democráticas e autoridades que ameaçavam os interesses do grupo em promover uma tentativa de golpe de Estado.

Os presos cumpriam prisão domiciliar desde dezembro após determinação de Moraes. Na época, a ação da PF (Polícia Federal) se deu após a tentativa de fuga do ex-diretor-geral da PRF (Polícia Rodoviária Federal) Silvinei Vasques, que estava com medida cautelar e foi preso no Paraguai tentando chegar a El Salvador.

A defesa de Guilherme Marques de Almeida disse à CNN Brasil que o militar “foi recolhido hoje pela manhã” e que aguarda o julgamento de recurso sobre o caso.

CNN Brasil tenta localizar as defesas dos outros presos.

Ângelo Martins Denicoli

Também integrante do núcleo 4 da trama golpista, Ângelo Denicoli foi condenado a 17 anos de prisão e 150 dias-multa, a maior sentença do grupo.

Major da reserva do Exército, Denicoli é acusado pela PGR de produzir e disseminar documentos falsos sobre as urnas eletrônicas e o sistema eleitoral de votação.

O militar foi condenado por cinco crimes:

  • Organização criminosa armada;
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
  • Golpe de Estado;
  • Dano qualificado pela violência;
  • Grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.

Até 2024, quem a PF o fez alvo da operação que investigava a trama golpista, Denicoli ocupava cargo na Prodesp (Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo).

Durante o julgamento, Zoser Plata Bondim Hardamn de Araújo, que defendeu Denicoli, argumentou que a denúncia contra o major da reserva ocorre em “excesso acusatório”.

“Tudo baseado em print, em uma reportagem. Ele fez uma cópia do documento e ficou logado no drive. Isso por si só é suficiente para dizer que ele produziu notícias falsas sobre urnas eletrônicas? A denúncia pode ser perfeita e precisa para os demais, mas, para Ângelo, há excesso acusatório”, declarou Zoser.

Giancarlo Gomes Rodrigues

Subtenente responsável por criar uma rede clandestina de espionagem dentro da Abin para monitorar opositores, Giancarlo Rodrigues foi condenado a 14 anos de prisão e 120 dias-multas. Giancarlo foi condenado por cinco crimes:

  • Organização criminosa armada;
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
  • Golpe de Estado;
  • Dano qualificado pela violência;
  • Grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.

O relatório da Polícia Federal de mais de 1.000 páginas sobre a investigação de uso ilegal da Abin no governo Bolsonaro também detalha que a jurista Maria Cláudia Buchianeri, que seria nomeada como ministra do Tribunal Superior Eleitoral, teve sua vida pessoal vasculhada por agentes cedidos.

A PF aponta que Marcelo Bormevet recebeu um áudio de um colega dizendo que estudou com Maria Cláudia Buchianeri e que ela era “petista roxa”.

Guilherme Marques Almeida

O tenente-coronel Guilherme Almeida foi condenado a 13 anos de prisão e 120 dias-multas por participação no núcleo 4 trama golpista.

O militar foi condenado por cinco crimes:

  • Organização criminosa armada;
  • Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
  • Golpe de Estado;
  • Dano qualificado pela violência;
  • Grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado.

Em áudio divulgado pela Polícia Federal, o tenente-coronel sugeriu “sair das quatros linhas” para viabilizar a tentativa de golpe de Estado.

O material foi extraído de celulares e computadores apreendidos durante a investigação que resultou na denúncia de 34 pessoas por atos contra o Estado Democrático de Direito.

“Esse é o nosso mal, a gente não está saindo das quatro linhas. Vai ter uma hora que a gente vai ter que sair ou então eles vão continuar dominando a gente. É isso cara, infelizmente é isso”, afirmou o tenente-coronel.

A expressão “jogar dentro das quatro linhas da Constituição” se popularizou nos discursos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como um indicativo de que não adotaria medidas fora do que a Constituição prevê.

No áudio, o tenente-coronel sugeriu justamente o oposto, defendendo ações que rompessem com os limites constitucionais.

“A eleição não vai voltar atrás, mas isso é o jogo dentro das quatro linhas que, até agora, o que a gente não apresentou foi o jogo fora”, completou o tenente-coronel no áudio.

*Com informações de Elijonas Maia, da CNN Brasil