Artemis: astronauta mostra efeito do espaço no corpo; veja vídeo e entenda

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Artemis: astronauta mostra efeito do espaço no corpo; veja vídeo e entenda

A astronauta Christina Koch, que participou da missão Artemis II no início de abril, publicou um vídeo nas redes sociais mostrando os efeitos da microgravidade no corpo, ou seja, o que acontece quando ficamos em um ambiente onde a ausência de peso é quase atingida.

No registro, é possível vê-la se esforçando para caminhar com os olhos fechados sete dias após o retorno à Terra. Em um momento até parece que ela vai cair apenas por colocar um pé à frente do outro.

“Acho que vou ter que esperar um tempinho para surfar novamente”, escreveu.

Koch segue explicando os efeitos após viajar para o espaço: “Quando vivemos em microgravidade, os sistemas do nosso corpo responsáveis ​​por informar ao cérebro como nos movemos — os órgãos vestibulares — não funcionam corretamente. Nosso cérebro aprende a ignorar esses sinais e, portanto, quando retornamos à gravidade, dependemos muito da visão para nos orientarmos.

“Caminhar com os olhos fechados pode ser um grande desafio! Aprender sobre isso pode nos ajudar a entender melhor como tratamos vertigem, concussões e outras condições neurovestibulares na Terra”, concluiu.

Outros efeitos no corpo

Os cientistas ainda estão descobrindo os efeitos de longo prazo na saúde ao passar muito tempo no espaço, mas algumas mudanças físicas, como a falta de equilíbrio, já são conhecidas.

Joe Dervay, um dos cirurgiões de voo da Nasa, disse em entrevista à CNN que os astronautas também podem perder densidade óssea, e seus músculos começam a atrofiar. Eles podem perder controle motor, coordenação e equilíbrio no espaço, desenvolvendo um tipo de enjoo, mostram os estudos.

A falta de gravidade também pode afetar o sistema imunológico e cardiovascular, a visão e o próprio DNA.

Em relação ao sistema imunológico, isso acontece porque os glóbulos brancos que ajudam o corpo a combater infecções parecem mudar. “No espaço, houve ativação de alguns vírus latentes que as pessoas carregam, mas sem efeitos na saúde a longo prazo associados a isso”, segundo Michael Harrison, especialista em medicina aeroespacial na Mayo Clinic na Flórida.

O espaço também parece modificar quimicamente o DNA de uma pessoa. Na Estação Espacial Internacional, os astronautas usam dosímetros para registrar sua exposição à radiação, já que ela pode danificar o DNA e aumentar o risco de câncer ao longo da vida.

Ainda não está totalmente claro quais efeitos outras mudanças químicas no DNA podem ter. Um estudo que comparou dados durante e após a missão do astronauta Scott Kelly ao espaço com dados de seu irmão gêmeo idêntico, o astronauta aposentado Mark Kelly, descobriu que houve modificações químicas no DNA de ambos, mas ambos voltaram ao normal quando retornaram à Terra.

Os telômeros, sequências repetitivas nas extremidades dos cromossomos que os protegem da deterioração, geralmente diminuem com a idade, mas os de Scott na verdade aumentaram enquanto ele estava no espaço. Quando retornou à Terra, eles encurtaram novamente. Cientistas dizem que os telômeros de Scott podem ter sido positivamente afetados por sua melhor rotina de exercícios e dieta no espaço.

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*Com informações de Jen Christensen, da CNN