Os palestinos votaram neste sábado (25) em eleições locais que incluíram Gaza pela primeira vez em duas décadas.
A Autoridade Palestina, sediada na Cisjordânia, espera que a inclusão simbólica da cidade de Deir al-Balah, em Gaza, ajude a reforçar sua reivindicação de autoridade sobre o território devastado pela guerra, de onde foi expulsa pelo Hamas em 2007.
Os habitantes de Gaza, que ainda lutam para suprir suas necessidades básicas no enclave devastado, comemoraram a oportunidade de votar.
“Ouço falar de eleições desde que nasci”, disse Adham Al-Bardini, sentado ao lado das panelas da família do lado de fora de sua tenda na cidade. “Estamos ansiosos para participar para que possamos mudar a realidade que nos foi imposta.”
Desde que o cessar-fogo mediado pelos EUA entre o Hamas e Israel entrou em vigor em outubro, as negociações intermitentes lideradas pelos Estados Unidos fizeram poucos progressos em direção a um acordo que preveja a supervisão internacional de Gaza.
Governos europeus e árabes apoiam amplamente o eventual retorno da governança da Autoridade Palestina em Gaza e o estabelecimento de um Estado palestino independente, composto por Gaza, Jerusalém Oriental e a Cisjordânia, onde a Autoridade Palestina exerce autogoverno limitado sob ocupação israelense.
Diplomatas ocidentais afirmam que as eleições locais podem abrir caminho para as primeiras eleições nacionais em quase duas décadas e ajudar a impulsionar reformas para aumentar a transparência e a responsabilização, que, segundo a Autoridade Palestina, já estão em andamento.
Estas são as primeiras eleições palestinas realizadas desde o início da guerra em Gaza, há mais de dois anos, com o ataque transfronteiriço do Hamas contra comunidades no sul de Israel. As últimas eleições municipais na Cisjordânia ocorreram há quatro anos.
A Autoridade Palestina tem enfrentado dificuldades para pagar salários, já que Israel retém a receita tributária que arrecada em seu nome, aumentando os temores de um colapso econômico.
Israel justifica a retenção dos fundos como um protesto contra os pagamentos de assistência social a prisioneiros e familiares de pessoas mortas por suas forças, que, segundo o governo israelense, incentivam ataques.
O governo israelense também tomou medidas para ajudar colonos a adquirir terras na Cisjordânia, e o ministro das Finanças ultranacionalista, Bezalel Smotrich, declarou: “Continuaremos a matar a ideia de um Estado palestino”.
Em Deir al-Balah, que sofreu menos danos com os ataques israelenses desde 2023 do que outras cidades de Gaza, faixas com listas de candidatos estão penduradas em prédios.
Parte da votação ocorrerá em tendas, e o processo terminará duas horas mais cedo devido a problemas no fornecimento de energia elétrica.
O comitê eleitoral palestino citou a destruição generalizada como um dos motivos pelos quais a votação não pôde ser realizada no restante de Gaza, cuja maior parte é controlada por Israel e o restante pelo Hamas.
Hamas boicota votação, mas alguns candidatos são aliados
Algumas facções palestinas estão boicotando as eleições em protesto contra o pedido da Autoridade Palestina para que os candidatos apoiem seus acordos, que incluem o reconhecimento do Estado de Israel.
O Hamas, que governa Gaza há quase duas décadas, não indicou formalmente nenhum candidato, mas uma lista na eleição de Deir al-Balah é amplamente vista por moradores e analistas como alinhada ao grupo.
Analistas dizem que o desempenho dos candidatos ligados ao grupo militante pode indicar sua popularidade. A maioria dos candidatos, inclusive na Cisjordânia, concorre pelo Fatah, o principal movimento político por trás da Autoridade Palestina, ou como independentes.
O Hamas afirmou que respeitará os resultados, e fontes palestinas disseram à Reuters antes da votação que policiais civis do grupo seriam mobilizados para proteger as seções eleitorais em Gaza.
O Comitê Central Eleitoral Palestino informou que mais de um milhão de palestinos, incluindo 70 mil em Gaza, estão aptos a votar, com os resultados esperados para o final de sábado ou domingo.
Conheça os grupos aliados do Irã contra Israel e EUA no Oriente Médio