O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) anunciou nesta segunda-feira (27) um conjunto de iniciativas que somam mais de R$ 380 milhões em Sergipe, com foco em restauração ambiental, fortalecimento da agricultura familiar e estímulo à economia criativa.
As ações abrangem diferentes regiões do estado e integram conservação ambiental, produção de alimentos e valorização cultural como parte de uma estratégia de desenvolvimento sustentável.
Segundo a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, o banco vem ampliando sua atuação com foco em geração de emprego, renda e fortalecimento de setores produtivos em parceria com estados e municípios.
“O BNDES sozinho, conseguiu investir no país R$ 1 bilhão por dia, para a indústria, para o comércio, para o serviço, nos nossos municípios, nos nossos governos. Então, é isso que está fazendo o país andar mais, gerar emprego”, completou durante o evento de lançamento de mais ações do BNDES em Sergipe, que contou com a participação do governador do estado, Fábio Mitidieri, além de outras autoridades.
No eixo ambiental, o destaque é o programa Floresta Viva, que pode mobilizar até R$ 100 milhões em projetos de restauração ecológica na Caatinga e na Mata Atlântica, incluindo áreas de manguezais e restingas. O modelo prevê cofinanciamento entre o BNDES e o governo de Sergipe, por meio da Desenvolve-SE, com aportes de até R$ 50 milhões de cada lado para viabilizar editais nos próximos anos.
A iniciativa prioriza o uso de espécies nativas e sistemas agroflorestais, com foco na recuperação de áreas degradadas, proteção de nascentes e melhoria da qualidade do solo. O objetivo é aumentar a resiliência produtiva no semiárido e fortalecer atividades econômicas ligadas à pesca e ao extrativismo. O programa também destaca o papel ambiental e econômico de ecossistemas costeiros na captura de carbono e na segurança alimentar de comunidades tradicionais.
O Floresta Viva já mobilizou cerca de R$ 470 milhões em todo o país, com 115 projetos em andamento e previsão de recuperação de aproximadamente 15 mil hectares. A nova fase deve ampliar esse alcance, com estimativa de até R$ 250 milhões adicionais em investimentos.
Outro destaque é o projeto Sertão Vivo, que receberá R$ 150,2 milhões para ações voltadas à agricultura familiar no semiárido sergipano. A iniciativa deve beneficiar 37,7 mil famílias em 30 municípios, com foco em práticas agrícolas sustentáveis, implantação de sistemas agroflorestais e recuperação de áreas degradadas.
O programa prevê impacto direto em cerca de 150 mil pessoas, com prioridade para famílias em situação de vulnerabilidade social. Também estabelece metas de inclusão produtiva, com participação mínima de mulheres e jovens entre os beneficiários. A estimativa é de redução ou captura de 1,7 milhão de toneladas de CO₂ equivalente ao longo de duas décadas.
No campo da economia criativa, o BNDES anunciou investimentos no programa Viva Sergipe, que prevê R$ 180 milhões para modernização e ampliação de equipamentos culturais e turísticos no estado. Parte dos recursos já foi contratada, com destaque para projetos de reurbanização, criação de espaços culturais e fortalecimento do artesanato local.
Entre as iniciativas estão a requalificação de pontos turísticos em Aracaju, a implantação da Pinacoteca do Estado e a criação de uma rede de Casas do Artesão Sergipano, com unidades distribuídas por diferentes regiões. Os espaços devem funcionar como centros de exposição, comercialização e capacitação, ampliando a geração de renda e a valorização da produção local.
O presidente da Desenvolve-SE, Milton Andrade, afirmou que a agenda representa um avanço estratégico para Sergipe. Segundo ele, as iniciativas criam condições para transformar a recuperação ambiental, a produção e a cultura em oportunidades concretas de negócio, renda e inclusão produtiva.
Ele destacou ainda que os projetos fortalecem cadeias da bioeconomia, aumentam a resiliência do território e posicionam o estado de forma mais competitiva em uma agenda global.