Não veremos impactos da saída dos EAU no curto prazo, diz especialista

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Não veremos impactos da saída dos EAU no curto prazo, diz especialista

Os Emirados Árabes Unidos anunciaram sua retirada da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), com saída prevista para 1º de maio. A decisão, comunicada pela agência estatal WAM, representa um novo abalo no mercado energético global e levanta questionamentos sobre impactos geopolíticos e nos preços dos combustíveis.

Em entrevista ao CNN Money, Carlos Primo Braga, professor da Fundação Dom Cabral, afirmou que a ruptura não chega a ser surpreendente.

“Essas tensões dos Emirados Árabes Unidos no contexto da Opep, e particularmente em relação à estratégia da Arábia Saudita, não eram novidade”, explica.

Segundo ele, desde 2021 já havia sinais de que o país considerava abandonar o bloco, especialmente porque sua capacidade de produção superava a cota estabelecida pela organização.

As divergências entre Emirados e Arábia Saudita refletem interesses econômicos distintos. Enquanto os sauditas precisam de um preço do petróleo entre 80 e 90 dólares por barril para equilibrar suas contas, em meio ao seu ambicioso programa de diversificação econômica, os Emirados conseguem fechar o orçamento com cerca de 50 dólares.

Além disso, o país tem ampliado fortemente sua capacidade produtiva e pode alcançar cerca de 5 milhões de barris por dia, acima dos limites anteriormente impostos pela Opep.

Apesar do impacto estrutural da decisão, os efeitos sobre os preços não devem ser imediatos.

Segundo Braga, “no curto prazo, não vamos observar nenhum impacto”, especialmente enquanto o Estreito de Hormuz permanecer sob restrições, limitando o escoamento da produção.

No cenário mais otimista, um aumento relevante da oferta global só ocorreria ao longo dos próximos anos, possivelmente até 2027, caso haja normalização logística e avanço na produção dos Emirados.

O economista também comentou a estratégia dos Estados Unidos de expandir a produção com o lema “drill, baby, drill”. Embora preços elevados incentivem investimentos no shale, ele aponta um entrave estrutural: as refinarias americanas foram projetadas para petróleo pesado, enquanto o shale é leve.

Assim, mesmo sendo exportador líquido, o país ainda depende de importações para ajustar o tipo de petróleo processado.

Por fim, ao abordar a Venezuela, Braga destacou que, apesar das maiores reservas do mundo, a recuperação da produção tende a ser lenta. Após mudanças políticas recentes, houve conversas com petroleiras americanas, mas o histórico de expropriações ainda gera cautela.

Atualmente, o país produz apenas uma fração do volume brasileiro, e uma retomada significativa não deve ocorrer no curto prazo.

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