Exxon supera as estimativas de lucro do 1º tri, mas guerra afeta produção

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Exxon supera as estimativas de lucro do 1º tri, mas guerra afeta produção

A Exxon Mobil superou as estimativas de lucro ajustado trimestral, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira (1º), impulsionada pelo aumento da produção na Guiana e na Bacia Permiana, embora o lucro não ajustado tenha caído para o menor nível em cinco anos devido às interrupções causadas pela guerra com o Irã, que podem afetar ainda mais a produção no trimestre atual.

O lucro ajustado nos primeiros três meses do ano foi de US$ 1,16 por ação, acima da estimativa consensual de US$ 1,00 compilada pela LSEG, enquanto o lucro líquido foi de US$ 4,2 bilhões, o menor desde o primeiro trimestre de 2021 e inferior aos US$ 7,7 bilhões do mesmo período do ano anterior.

O conflito no Oriente Médio elevou os preços do petróleo nos EUA e internacionalmente  para bem mais de US$ 100 por barril, mas o efeito sobre os lucros das grandes petroleiras tem sido desigual. A Exxon, uma das mais expostas, viu sua produção cair, enquanto as rivais europeias BP e Total obtiveram lucros maiores com operações de comercialização.

Cerca de 20% da produção de petróleo e gás da Exxon está localizada no Oriente Médio, uma das maiores taxas de exposição entre as grandes empresas petrolíferas. A Chevron, segunda maior produtora de petróleo dos EUA, afirmou que menos de 5% de sua produção provém dessa região.

A produção mundial da Exxon foi de 4,59 milhões de barris de óleo equivalente por dia no trimestre, um ligeiro aumento em relação ao ano anterior, mas uma queda de quase 8% em relação aos 5 milhões de barris por dia do quarto trimestre, devido principalmente às interrupções contínuas no Estreito de Ormuz, que permanece fechado e é utilizado para o trânsito de um quinto do suprimento mundial de petróleo e gás.

Caso o estreito permaneça fechado pelo restante do segundo trimestre, a Exxon afirmou que a produção cairá entre 4,1 milhões e 4,3 milhões de barris de óleo equivalente por dia, o que incluiria uma redução de 750 mil barris por dia na produção do Oriente Médio em relação a 2025.

Se a hidrovia for reaberta imediatamente, a produção do segundo trimestre poderá chegar a 4,7 milhões de barris por dia, segundo a empresa.

O valor ajustado da Exxon exclui uma perda de US$ 700 milhões referente a cargas que não puderam ser entregues em decorrência da interrupção sem precedentes no fornecimento causada pelo conflito, que teve início no final de fevereiro.

Ambiente “altamente volátil”

O CEO da Exxon, Darren Woods, afirmou que a empresa manterá sua estratégia atual, focada no que considera produção de alta qualidade.

“O conflito no Oriente Médio contribuiu para um ambiente operacional altamente volátil. A oferta ficou mais restrita. A logística se tornou mais complexa. Os mercados oscilaram rapidamente. Esse tipo de ambiente não altera nossa estratégia, pelo contrário, comprova sua eficácia”, disse ele em um comunicado.

Durante uma teleconferência com analistas na sexta-feira, os executivos provavelmente responderão a perguntas sobre o cronograma de reparo dos ativos danificados no Oriente Médio, região que também representa uma grande parte do portfólio de gás natural liquefeito (GNL) da Exxon.

A produtora de petróleo detém participações em duas instalações de GNL no Catar que foram atingidas por ataques iranianos.

A Exxon informou que as unidades de GNL permanecerão inativas após a reabertura do estreito e que trabalhará com a operadora QatarEnergy para encontrar maneiras de acelerar os reparos.

“Esperamos que surjam questionamentos hoje sobre os planos da XOM de potencialmente aumentar suas atividades”, disse Biraj Borkhataria, analista da RBC Capital Markets, em nota. “Prevemos uma reação neutra aos resultados de hoje.”

Derivativos afetam resultados

Os ativos de exploração e produção mais significativos da Exxon são a Bacia Permiana e a produção offshore na Guiana. O diretor financeiro da Exxon, Neil Hansen, afirmou que a produção na Guiana atingiu um novo recorde e que a empresa continua crescendo na Bacia Permiana. Isso ajudou a compensar as interrupções no Oriente Médio.

A Exxon já havia divulgado um impacto bilionário devido aos efeitos de prazo, que espera reverter nos próximos trimestres. O lucro foi de US$ 2,09 por ação, excluindo as perdas com derivativos financeiros.

A Exxon utiliza derivativos financeiros para mitigar o risco de oscilações de preços durante o tempo necessário para entregar as cargas aos clientes. O valor da remessa física não é refletido nos lucros até que a transação seja concluída, o que gera um impacto no prazo, explicou a empresa.

“Em geral, leva alguns meses para que esse impacto seja revertido”, disse Hansen em entrevista, embora tenha acrescentado que é difícil prever o potencial para outros impactos de prazo, que dependerão da evolução dos preços das commodities.

Os lucros da divisão de exploração e produção (upstream), incluindo itens identificados, foram de US$ 5,7 bilhões, um aumento de 63% em relação ao trimestre anterior e uma queda de 15% em relação ao ano passado.

A unidade de refino e distribuição (downstream) registrou um prejuízo de US$ 1,3 bilhão, comparado a um lucro de US$ 827 milhões no ano passado. Excluindo todos os efeitos de cronograma, a Exxon informou que os lucros da divisão de refino e distribuição foram de US$ 2,8 bilhões.

Hansen afirmou que o negócio subjacente se mostrou resiliente e que, excluindo todos os impactos de cronograma e cargas não entregues, o lucro líquido cresceu em comparação com o ano anterior.

O fluxo de caixa livre da Exxon foi de US$ 2,7 bilhões durante o primeiro trimestre, uma queda em relação aos US$ 8,8 bilhões do mesmo período do ano anterior. A empresa pagou US$ 4,3 bilhões em dividendos e recomprou US$ 4,9 bilhões em ações durante o primeiro trimestre.

Os investimentos em bens de capital totalizaram US$ 6,2 bilhões, em linha com a projeção da empresa para o ano todo.