PF: Irmão de Ciro comprou cota de R$ 13 mi por R$ 1 mi de primo de Vorcaro

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PF: Irmão de Ciro comprou cota de R$ 13 mi por R$ 1 mi de primo de Vorcaro

A 5ª fase da Operação Compliance Zero revelou que uma empresa da qual senador Ciro Nogueira (PP-PI) é sócio adquiriu uma participação societária com valor estimado em R$ 13 milhões por R$1 milhão – ou seja: um deságio de R$ 12 milhões. Segundo a Polícia Federal, o benefício foi articulado por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Segundo a decisão do ministro do STF, André Mendonça, a negociação entre Ciro e Vorcaro se deu de forma indireta, por meio de parentes do senador e do empresário, que também foram alvos da operação deflagrada nesta quinta-feira (7).

Felipe Cançado Vorcaro, primo do banqueiro, foi apontado pela PF como operador financeiro de Daniel e dono da Green Investimentos S.A., da qual o irmão do senador, Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, comprou 30%. A aquisição foi feita em nome da CNFL, empresa administrada por Raimundo desde 2024 e que tem Ciro Nogueira como sócio.

De acordo com a representação policial, as ações da Green teriam o valor aproximado de R$ 13.062.315,30 no mercado de ações e foram negociadas pela CNFL pela quantia de R$1 milhão.

A Green também tinha participação acionária em outra empresa, a Trinity Energia Renováveis S.A., que teve 20% dos dividendos anuais precificadas em R$ 2,4 milhões. De acordo com a decisão, a CNFL receberia R$ 720 mil destes dividendos.

O valor foi apontado pela corporação como um descompasso. O argumento foi que, no segundo ano após a aquisição das ações da Green por parte da empresa de Ciro e Raimundo, “os valores recebidos em razão de seus rendimentos ultrapassariam de forma significativa o montante total pago pela sua integralização”. Para a PF, essa transação indicaria uma subvalorização das ações compradas.

A CNN entrou em contato com a defesa do parlamentar, mas ainda não obteve retorno; a reportagem não localizou a defesa de Felipe Vorcaro e de Raimundo Nogueira. O espaço segue aberto.

Os dados apresentados fizeram com que Mendonça concluísse que a compra das ações não tiveram “mero vínculo fraternal ou a atuação política regular”, o que levanta suspeitas de que Ciro recebeu, ainda que indiretamente, pagamentos do ex-dono do Master. Além das ações “subvalorizadas”, os investigadores verificaram, ainda, o comando de Daniel Vorcaro ao primo para que a participação societária do negócio facilitasse os dividendos “sem que a operação ingressasse no radar de eventuais mecanismos de fiscalização”.

Além da compra das ações, há a suspeita de que Felipe repassasse pagamentos mensais ao senador por meio de empresas. As quantias em favor de Ciro Nogueira teriam valor inicial de R$ 300 mil, “com indícios de que teriam sido posteriormente aumentados para a importância de R$ 500 mil”.

Felipe Vorcaro foi preso na operação desta quinta feira, Ciro e seu irmão Raimundo, alvos de busca e apreensão.

O Progressistas, partido de Ciro Nogueira, divulgou nota informando que espera que os “fatos ocorridos sejam devidamente esclarecidos, com estrita observância ao amplo direito de defesa e ao devido processo legal”.