Tragédia anunciada: omissão do prefeito Railson Ferreira transforma celebração em luto em Feijó

A morte prematura do jovem Rodrigo Silva Sena, na madrugada desta quinta-feira (14), não é apenas uma fatalidade do trânsito; é o desfecho trágico de uma sequência de negligências que expõe o abismo entre o marketing político e a realidade da gestão pública em Feijó. Enquanto o prefeito Railson Ferreira se ocupava em Rio Branco com holofotes e narrativas de oposição, um “palco de madeira” — já descrito por moradores como um amontoado de material precário — transformava-se em uma armadilha mortal em plena via pública.

É inaceitável que uma estrutura montada para festejos de dias atrás tenha sido abandonada no meio de uma via de acesso sem qualquer sinalização, iluminação ou isolamento. O que deveria ser um espaço de celebração tornou-se um obstáculo invisível no escuro da madrugada. A imagem da motocicleta cravada na madeira apodrecida é o retrato fiel de uma administração que parece ter esquecido o básico: zelar pela vida do cidadão.

Enquanto a estrutura “esquecida” bloqueava o caminho e ameaçava a segurança dos feijoenses, o chefe do Executivo municipal preferiu a conveniência da capital acreana, priorizando o embate político em detrimento da zeladoria urbana. O “turismo político”, como definido por moradores revoltados, custou caro demais para uma família tradicional da cidade.

A Omissão como Crime

A gestão pública não se faz apenas com discursos e protestos em frente ao Palácio Rio Branco; faz-se com fiscalização, limpeza e respeito ao espaço comum. Manter um tablado de madeira ocupando a pista por cinco dias após o evento, sem alerta de perigo, configura uma omissão administrativa grave.

Os pontos que exigem resposta imediata são claros:

  • Por que a estrutura não foi desmontada logo após o evento de Dia das Mães?

  • Onde estavam os órgãos de fiscalização e trânsito do município que não isolaram a área?

  • Qual a justificativa para o abandono de material possivelmente deteriorado em via pública?

A Polícia Civil tem o dever de apurar as responsabilidades. Não se trata apenas de um acidente de trânsito, mas de uma potencial prevaricação e negligência do poder público. A prefeitura de Feijó, até o momento em silêncio, deve explicações que vão muito além de uma nota de pesar.

Rodrigo Silva Sena teve sua vida ceifada por um obstáculo que não deveria estar lá. Que esta tragédia sirva para lembrar que a política deve servir ao povo, e não se servir do cargo para palcos pessoais — especialmente quando esses palcos, na vida real, tornam-se instrumentos de morte.

Feijó chora, mas também exige justiça.